Desemprego aumenta com entressafra
Carmem Murara
De Curitiba
Depois de três meses de saldo positivo na geração de emprego, o Paraná volta a apresentar crescimento na taxa de desemprego formal, que é medido com base no número de carteiras assinadas. O mês de julho apresentou um aumento de 0,12% no desemprego, em todo o Estado, e de 0,10%, na Região Metropolitana de Curitiba, sobre o mês anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, o desemprego foi 3,1% superior, o que representou a demissão de 44.775 trabalhadores.
Os números divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio Econômicos (Dieese) são baseados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho. Todos os meses, o Ministério faz um balanço da quantidade de carteiras profissionais expedidas e das baixas em cada um dos Estados.
No caso do Paraná, julho é, tradicionalmente, um mês que tem uma taxa mais elevada no desemprego. O fim da colheita das safras algodão, milho, cana-de-açúcar e café acaba provocando dispensa de mão-de-obra no interior do Estado. Até o mês passado, os municípios que vivem da agricultura apresentavam taxa positiva de geração de emprego, pois estávamos no período da safra, afirmou o economista do Dieese, Cid Cordeiro.
Outro setor que contribuiu para o aumento do desemprego foi o da construção civil, que teve queda de 1,8% em julho sobre junho e de 14,2% sobre julho do ano passado. O número negativo é um reflexo da construção civil pesada, que dos 15 mil trabalhadores que há no Estado, apenas 4 mil estão empregados.
O diretor do Sindicato da Construção Pesada, Raimundo Ribeiro, aponta o governo do Estado como o principal responsável pelo desemprego. Desde agosto de 98 o governo não paga as empreiteiras que, por sua vez, não pagam os trabalhadores, afirmou Ribeiro. Para agravar ainda mais a situação, houve a conclusão das obras da usina de Salto Caxias, que empregava 4 mil operários. Muitos barrageiros migraram para a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, onde começam as obras da usina hidrelétrica de Itá.
Entre todos os setores pesquisados pelo Dieese, 24 tiveram uma redução no nível de emprego no período de um ano. Apenas o segmento de materiais de transporte, (13%), madeira e mobiliário (2,8%), médico hospitalar (2,1%), ensino (3,7) e agrícola (1,6) geraram emprego na média dos últimos 12 meses.





