Desemprego atinge 7,7% em janeiro
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terça-feira, 02 de março de 1999
Agência Estado 
O índice de desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 7,73% em janeiro - superior ao índice de 6,32% em dezembro. A taxa de desemprego em São Paulo, no primeiro mês do ano, chegou ao recorde de 9,18%. Enquanto aumentou o desemprego, houve uma queda de 0,5% na renda dos trabalhadores empregados no ano passado - a primeira desde 1993. O IBGE também apurou queda de 9,1% nos empregos da indústria, durante o ano de 1998.
A taxa de desemprego foi a décima mais alta apurada pelo instituto desde que ela começou a ser pesquisada, entre a população com 15 anos ou mais, em 1983. Foi também a maior taxa registrada no primeiro mês de um ano. O recorde anterior, de 7,45%, havia sido apurado pelo IBGE em janeiro de 1984. O índice de desemprego em janeiro do ano passado foi de 7,25%.
O crescimento do desemprego foi resultado do aumento de 22,5% do contingente de pessoas que procuraram trabalho em janeiro e de 1,7% dos trabalhadores que perderam seus empregos. O índice só não ficou maior porque nele não foram contabilizadas as cerca de 32 mil pessoas que simplesmente deixaram de tentar trabalhar em janeiro - provocando uma pequena queda, de 0,2%, na População Economicamente Ativa (PEA).
Na comparação com janeiro de 1998, a queda do PEA - base do cálculo do número de desempregados pelo IBGE - foi de 5,9% no mês retrasado. A chefe da Unidade de Consultoria Econômica do IBGE, Shyrlene Ramos, informou que o desemprego de janeiro é parcialmente resultado de fenômenos típicos da época, como a demissão de pessoas contratadas para trabalhar no fim do ano e, em parte, consequência do agravamento da crise econômica.
Ela previu que o desemprego deve continuar a aumentar no primeiro semestre, ficando igual ou maior do que a taxa da primeira metade do ano passado, que foi de 7,81%. Segundo Shyrlene, ainda é cedo para avaliar o impacto da desvalorização do real no nível de emprego. Não é porque o dólar bateu a R$ 2,17 ontem que as empresas vão começar a demitir, afirmou.
A técnica do IBGE chamou a atenção para a redução geral do número de vagas na economia. Em janeiro houve queda do número de pessoas empregadas de 5,3% na indústria de transformação e 1 4% no comércio, e pequenos crescimentos, de 0,6% e 0,8%, respectivamente, na construção civil e no setor de serviços. O comércio e os serviços não estão mais absorvendo trabalhadores, alertou Shyrlene.
A técnica explicou que o desemprego em São Paulo atingiu níveis recordes de 9,18% porque o maior centro industrial do País foi o mais atingido pelas altas taxas de juros. A maior taxa anterior, de 9,11%, foi registrada em maio de 1998. O índice de desemprego no Rio de Janeiro, de 5,37%, foi atenuado pela influência dos servidores públicos, que têm estabilidade, e o nível de trabalhadores contratados no setor de comércio e serviços, segundo Shyrlene.
A queda de 0,5% no rendimento dos trabalhadores em 1998 refletiu a preferência de os trabalhadores garantirem o emprego a lutar por reajustes salariais. As pessoas não negociaram salário, mas outros benefícios e a estabilidade no emprego, constatou Shyrlene. A maior queda, no entanto, de 4,1%, foi apurada entre os autônomos.


