Desemprego atinge 17,2% em São Paulo
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Agência Estado 
A taxa de desemprego na Grande São Paulo bateu novo recorde: 17,2% em fevereiro, ante 16,6% em janeiro, segundo a pesquisa do convênio Seade-Dieese. A Região Metropolitana já tem 1,47 milhão de pessoas desempregadas e, novamente, nenhum setor foi capaz de compensar o elevado número de demissões na indústria, que eliminou num único mês 20 mil postos de trabalho.
O setor de serviços, que durante o ano passado empregou
muita gente, em fevereiro fechou nada menos que 16 mil ocupações. Outros setores - especialmente o de serviços domésticos - eliminaram 4 mil vagas. Só o comércio ampliou a oferta de empregos, criando 9 mil postos. No total, portanto, o mercado teve um prejuízo de 31 mil postos em fevereiro, nos 39 municípios pesquisados.
Os números eram esperados, em razão do histórica baixa da atividade econômica no primeiro trimestre. Mas a continuidade do declínio da capacidade criadora de empregos do setor de serviços chamou a atenção dos técnicos: o nível de ocupação no setor voltou à situação de maio do ano passado. Além disso, o emprego autônomo teve mau desempenho, com redução de 2,8% no nível de ocupação.
O índice de desemprego total, de 17,2%, é bem superior ao registrado na pesquisa do IBGE, que utiliza outra metodologia. A taxa do IBGE em janeiro, último dado disponível, foi de 8,51% para quem procurou trabalho nos sete dias que antecederam a entrevista.
O IBGE pesquisa apenas o desemprego aberto. Já o convênio Seade-Dieese, leva em conta o desemprego oculto (daquele de quem faz bicos, se dedica a ocupações eventuais ou não procurou emprego por motivos específicos, como doença, desestímulo etc).
Mas se forem comparadas as taxas de desemprego aberto, e de quem procurou emprego nos últimos 30 dias, os resultados dos institutos se aproximam: 10,3% em janeiro e 11,1% em fevereiro na Grande São Paulo, segundo Seade-Dieese, e 9,16% em janeiro segundo o IBGE.
Para março, é esperado novo recorde. Embora tenhamos hoje indicadores macroeconômicos mais favoráveis, como a queda dos juros, seus efeitos só devem ser sentidos em abril ou maio, afirmou o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
Contudo, o agravamento do desemprego este mês não deve ser substancial, de acordo com o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. Ninguém espera um salto na taxa, mas também não estamos projetando nenhuma melhora, disse.
Mesmo que as taxas melhorem a partir de abril, não devem ter força para fazer o Brasil retornar à situação de um ano atrás. Os prejuízos foram muito grandes no período: a taxa de fevereiro do ano passado foi de 14,2%, correspondente a 1,192 milhão de desempregados - 278 mil a menos do que em fevereiro deste ano. Somente a indústria, de lá para cá, eliminou 219 mil postos, 70% dos quais com carteira de trabalho assinada.


