Desemprego atinge 16,6% em São Paulo
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Pela primeira vez nos últimos 13 anos, o comércio da Grande São Paulo demitiu no mês de novembro e não fez contratações temporárias para atender ao movimento extra de fim-de-ano. Esse movimento atípico contribuiu para elevar, pelo quarto mês consecutivo, a taxa de desemprego na Região Metropolitana.
Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o desemprego atingiu a taxa recorde de 16,6% da População Economicamente Ativa (PEA) da Grande São Paulo no mês de novembro. Em outubro, a taxa foi de 16,5% da PEA.
Desde 1985, esse foi o segundo novembro em que a taxa de desemprego cresceu na região, pois o movimento normal para esta época do ano é de queda na taxa. O comércio deve estar fazendo contratações em dezembro e a tendência é de uma pequena redução na taxa neste mês, diz o diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Branco.
Em janeiro e fevereiro de 1998, contudo, o desemprego deve voltar a subir e a taxa deve ficar próxima a 17%, não sendo surpresa se ela superar esse percentual, diz Branco. É uma situação muito preocupante, observa, lembrando que o ano de 97 vai terminar com uma taxa muito alta e os primeiros meses do ano sempre são períodos de dispensa. Nunca um janeiro começou com uma taxa tão alta como vai ocorrer em 1998, pondera.
O aumento do desemprego em novembro foi provocado pelo aumento no número de demissões, e não pela maior procura por emprego neste período. No mês, 12 mil postos de trabalho foram fechados, indicando uma queda na taxa de ocupação de 0,2%. Entre as reduções, 3 mil ocorreram na indústria, 2 mil no comércio e 15 mil na construção civil e serviço doméstico. O setor de serviços criou 8 mil vagas, especialmente de trabalhadores autônomos.
Outro movimento atípico para esta época do ano foi a redução da PEA. Entre os meses de outubro e novembro, 4 mil pessoas saíram da condição de ativos e passaram a integrar os inativos (pessoas que desistem de procurar emprego). Como consequência destas duas situações (corte de 12 mil vagas e 4 mil pessoas que saíram do mercado do trabalho), o total de desempregados aumentou em 8 mil pessoas, passando a ser de 1,436 milhão de pessoas na região, explica o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
E no primeiro trimestre do ano o desemprego vai subir, diz Mendonça, observando que a taxa média de desemprego de todo o ano de 97 vai ficar muito próxima a 16%, sendo a maior de toda a série da pesquisa.
Desde 1985, quando a pesquisa começou a ser feita, o desemprego só subiu em novembro no ano de 1995. E a taxa de ocupação caiu em outros dois anos: 1987 e 1990. Este ano foi a primeira vez em que as duas situações - aumento do desemprego e queda na ocupação - ocorreram de forma simultânea, explica Mendonça.
Para dezembro, a expectativa dos técnicos da pesquisa é de uma variação muito pequena na taxa, provocando uma queda no total de desempregados. O comércio, lembra Branco, está dando sinais de maior otimismo e deve ter feito contratações no início do mês para atender ao movimento de compras de Natal.


