Desemprego atinge 1,6 milhão e é recorde
Desemprego atinge 1,6 milhão e é recorde
Pesquisa Dieese-Seade mostra que em abril 92 mil trabalhadores perderam o emprego; taxa não recua há nove meses
Agência Estado
Arquivo FolhaCanteiros de obrasConstrução civil empregou 39 mil pessoas, junto com os serviços domésticos: ano eleitoral empurra o setorO desemprego em abril atingiu 1,648 milhão de pessoas na Grande São Paulo. Isso significa que em apenas 30 dias aumentou em 92 mil o estoque de trabalhadores em busca de ocupação, segundo a pesquisa do convênio Dieese-Seade. A taxa, de 18,9% para uma população economicamente ativa (PEA) de 8,722 milhões, não cai desde agosto do ano passado. A sucessão de recordes pode ser revertida este mês, segundo previu o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. A taxa em março foi de 18,1%.
A nova queda de juros anunciada na quarta-feira e o natural crescimento da atividade econômica no segundo trimestre são indicadores positivos para o emprego em maio. Mas, que ninguém espere milagre, segundo Branco. A economia reage muito rapidamente ao aumento dos juros, reduzindo sua atividade, explicou. Quando os juros começam a cair, a resposta é muito mais lenta e cautelosa.
Alguns setores já esboçaram reação em abril. A indústria, pelo segundo mês consecutivo, ampliou a oferta de emprego. Criou 56 mil ocupações especialmente nas áreas têxtil, de vestuário, química, borracha, gráfica e papel. Contudo, algo anormal aconteceu. A indústria tradicionalmente cria empregos assalariados, com carteira assinada. Desta vez, apenas 43% das vagas tinham essa característica.
Segundo técnicos, ainda é cedo para acusar uma precarização do trabalho na indústria. O resultado pode ser fruto de insegurança de pequenas e médias empresas - que são numerosas nos ramos que tiveram crescimento - quanto ao potencial de crescimento da economia este ano.
Outros setores, especialmente construção civil e serviços domésticos, criaram juntos 39 mil ocupações. Isso se deve em parte ao barateamento da mão-de-obra, decorrente da grande oferta de trabalhadores para serviços domésticos, por exemplo. E também à retomada de obras públicas no ano eleitoral, que emprega grande contingente na construção civil.
O setor de serviços e o comércio mostraram novamente falta de fôlego. O comércio eliminou 51 mil postos. E, pior, postos predominantemente assalariados e com carteira, o que levou Branco a pensar numa mexida estrutural nos estabelecimentos, já que os efetivos - e não os temporários - estão sendo demitidos. No setor de serviços houve redução de 12 mil ocupações, basicamente ocupadas por trabalhadores autônomos.
No total, o saldo de vagas foi positivo em relação a março. A economia criou 32 mil novas ocupações. Assim, a taxa de desemprego tinha tudo para sofrer uma pequena queda. O problema é que a PEA, ou seja, o número de trabalhadores no mercado, aumentou muito: 124 mil pessoas a mais, o que é considerado normal para esta época do ano.





