Desempregados protestam contra ajuste argentino
Centenas de desempregados realizaram ontem piquetes. Na estrada nacional número 3, no município de La Matanza, na Grande Buenos Aires, bloquearam o trânsito. Os desempregados, acompanhados por sindicalistas e funcionários públicos, protestavam contra o ajuste fiscal do governo, oficializado na véspera.
O líder dos piqueteiros, Luis DElia, declarou que o ajuste é um golpe de Estado do setor financeiro e alertou para a possibilidade de que o governo suspenda os planos de trabalho temporário e de ajuda social.
A estrada, uma das principais na área metropolitana da capital argentina, foi bloqueada com escombros e pneus em chamas, marca registrada dos piquetes, que nos últimos meses se alastraram por todo o país, como modalidade de protesto contra a fome e o desemprego.
Na terça-feira da próxima semana, piqueteiros de todo o país se reunirão em La Matanza no Congresso Nacional de Organizações Territoriais, Sociais e de Desempregados. A convenção pretende definir uma resposta política contra o ajuste, além de coordenar os piquetes, a maioria dos quais são formados de maneira semi-espontânea e sem lideranças definidas.
Desempregados e produtores rurais argentinos bloquearam ontem também a fronteira do país com o Brasil, impedindo a entrada e a saída de caminhões brasileiros no País. Ocupando a Rota 14, ao norte da Argentina, eles protestavam contra a política do governo e pediam o fim dos subsídios às empresas privatizadas e a suspensão do pagamento da dívida externa.
Os produtores reivindicavam restrição à entrada de produtos estrangeiros que afetam a produção nacional e a obrigatoriedade do uso de transporte argentino nas estradas do país. Eles pediam também a simplificação do sistema tributário e a criação de um imposto sobre valor agregado, sem ultrapassar os 10%. Os líderes do protesto montaram uma barraca para apresentar aos caminhoneiros os motivos do bloqueio. (Das agências)





