Albari RosaÀ margem do consumoA família de Gelson aboliu qualquer gasto esse ano: orçamento apertadoDesempregado há 13 meses e sem previsão para voltar a se encaixar no disputado mercado de trabalho, o motorista de caminhão Gelson Julian Rodrigues, 45 anos, de Curitiba, descarta qualquer gasto no Natal deste ano. Os presentes e até a ceia natalina ficam adiados para períodos mais estáveis na economia doméstica da família. Nem mesmo as lojas de R$ 1,99 atraem Rodrigues, que prefere passar o Natal como se fosse uma data como outra qualquer.
Rodrigues garante que a falta de dinheiro para os presentes não traz tristeza para ele nem para os filhos. ‘‘A nossa alegria é a mesma no dia do Natal. O importante é que a gente está com saúde’’, diz. O que preocupa mesmo o motorista é estar sem emprego, comenta, ao procurar emprego em uma relação de vagas do Sistema Nacional de Empregos (Sine).
Mas ele tem esperança. ‘‘Se Deus quiser, entro o ano empregado’’, afirma. O último trabalho com carteira assinada foi na transportadora Terra Rica. Ganhava cerca de R$ 500 ao mês, orçamento para sustentar a mulher Neusa Alves Rodrigues e oito filhos. Desde que está desempregado, a família vive dos ‘‘bicos’’ que ele faz como guardador de carro e dos R$ 150 que a filha recebe como empregada doméstica.
A família reclama da situação financeira, mas se conforma em passar um Natal sem presente. ‘‘Não pedi nenhum brinquedo esse ano’’, garante o filho caçula Paulo Rodrigues, 9 anos. Rodrigues já avisou em casa que não vai dar nem para gastar com ‘‘lembrancinhas’’.
Ele diz que não responsabiliza o governo ou os empresários pelo desemprego. Culpa a si mesmo. ‘‘A falta de estudo tem atrapalhado bastante. Todo patrão exige o segundo grau completo’’, conta. Ele cursou até a terceira série do primeiro grau mas abandonou a escola para trabalhar.(Carmem Murara)

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