A queda de 3% no rendimento médio real do do trabalhador num único mês é o resultado estatístico de situações que já vêm sendo noticiadas há alguns meses. O desempregado, que fica em média 39 semanas procurando uma nova ocupação, vai baixando seu nível de exigência e acaba se recolocando no mercado em troca de ganhos muito menores do que recebia quando estava na ativa. ‘‘Isso cria um ciclo vicioso de menos renda na economia, menos consumo, em consequência, mais desemprego, que por sua vez causa nova queda da renda e assim sucessivamente’’, afirmou o diretor do Dieese, Sérgio Mendonça. O encolhimento da renda não está poupando ninguém. Em termos reais (descontada a inflação), bastaram 12 meses para que o rendimento máximo dos 10% mais pobres caísse, em março, de R$ 185 para R$ 153. O rendimento mínimo dos 10% mais ricos caiu de R$ 2.056 para R$ 1.800. As faixas intermediárias perderam menos, mas todas ficaram mais pobres.

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