Desempenho da indústria em novembro é o pior em sete anos
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
A indústria paranaense teve em novembro a pior baixa para o mês desde a crise internacional de 2008. O decréscimo chegou a 9,98% em relação ao mês anterior e a 14,74% quando comparado com novembro do ano passado. No acumulado do ano (janeiro a novembro), há uma retração de 7,90% na comparação com o mesmo período de 2014. Os dados são da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). A baixa tem origem no desempenho negativo de 13 dos 18 gêneros industriais pesquisados.
Vestuário (+22,68), Edição e impressão (+10,91%) e Móveis e indústrias diversas (+0,68%) foram os que tiveram maior crescimento, enquanto Produtos de metal (-16,16%), Minerais não metálicos (-15,55%) e Alimentos e bebidas (-12,62%) foram os que apresentaram as maiores quedas.
Segundo o economista da Fiep, Roberto Zurcher, o motivo para a baixa em quase todos os segmentos da indústria é a crise nacional, que já atinge até mesmo o setor de alimentos e bebidas, geralmente o último a ser afetado. O setor é o que tem maior representatividade na indústria paranaense sua participação chega a mais de 25%, A queda foi de 12,62% de outubro para novembro.
Mas o gênero com maior queda foi o de produtos de metal, que abastece as indústrias do setor automotivo e de construção civil, por exemplo, cujos desempenhos também estão em baixa. "As pessoas não estão gastando com produtos de alto valor, e houve aumento nos juros do crédito", observa Zurcher.
Para Valter Orsi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal Londrina), o setor de metal é um dos mais afetados por sofrer a concorrência de outros países. "É um setor que sofre concorrência internacional. Tem que ter competitividade e preço baixo, mas o Custo Brasil é muito alto, falta infraestrutura e a carga tributária é alta." Ajustes para alavancar o setor já foram feitos, diz Orsi. Esse ano, as indústrias demitiram até 20% do quadro de funcionários. Muitas fecharam as portas. "A perspectiva é buscar produtividade. É a única alternativa que se encontra para manter os empregos."
O setor de vestuário apresentou em novembro incremento de mais de 22% em relação a outubro. A alta tem relação com o lançamento de novas coleções que ocorrem nesta época do ano, e também com incentivos fiscais que a indústria teve em 2015, comenta Zurcher. "No mês de novembro, as indústrias tiveram suas primeiras vendas das novas coleções, além do acúmulo no faturamento do mês de mudanças na carga tributária do setor. Embora o faturamento não seja muito grande, é o segundo setor que mais emprega pessoas no Paraná."
Porém, incentivos concedidos pelos governos em 2015 acabam a partir deste fim de ano, o que deverá impactar o setor, ressalva Alexandre Graciano de Oliveira, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar). Ele cita, por exemplo, o fim da desoneração da folha de pagamento, "Está aumentando o custo do setor de vestuário. Tinha que manter os incentivos para continuar a geração de empregos. A perspectiva para seis meses é de demissões."
Apesar de apresentar crescimento no Paraná, o setor passa por dificuldades, especialmente no segmento de facção e de marcas próprias, diz Oliveira. "O segmento de facção está passando por aperto, porque as marcas resolveram diminuir o volume de produção."
Conforme afirma o presidente do Sivepar, apenas o segmento de Private Label (PL) formado por indústrias que prestam serviço terceirizado (da criação à entrega) teve desempenho positivo neste final de ano. "Aumentou porque empresas que mandavam serviços para a China, com o aumento do dólar, passaram a mandar para o mercado interno."


