Rio – Com a economia no buraco, os valores liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamentos já aprovados seguiram afundando no primeiro trimestre, informou ontem a instituição. De janeiro a março, foram desembolsados R$ 18,1 bilhões, queda de 46% em relação ao primeiro trimestre de 2015, sem descontar a inflação. Levando em conta a variação de preços, a queda passa de 50%.

Na avaliação de Lívio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a recessão econômica é marcada por queda tanto na demanda quanto na oferta de crédito. No caso dos bancos públicos, que lideraram a expansão do crédito de 2012 a 2014, a oferta já havia sido freada na virada de 2014 para 2015, por causa da crise fiscal.

"Esse momento de expansão ficou para trás", afirmou Ribeiro, citando a demanda fria, já verificada em 2014, e a falta de capacidade do Tesouro Nacional de continuar reforçando o poder de fogo dos bancos públicos como motivos para o fim desse ciclo.

O BNDES começou 2015 com uma nova política operacional, para moderar a oferta de crédito subsidiado. O plano, traçado pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, era reduzir o tamanho para não precisar de mais aportes do Tesouro Nacional – de 2009 a 2014, eles somaram cerca de R$ 440 bilhões.

Ao longo do ano passado, porém, a recessão foi se agravando e a demanda por empréstimos caiu junto. Agora, a queda na demanda é mais relevante, segundo o superintendente de Planejamento do BNDES, Cláudio Leal.

PSI
Ainda assim, a redução no crédito subsidiado ainda aparece nos números, como no caso do fim do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI). No primeiro trimestre, o PSI, destino da maior parte dos aportes de R$ 440 bilhões recebidos pelo BNDES, liberou R$ 2,6 bilhões, 80% abaixo de igual período de 2015.

Há restrições de oferta também nos projetos de infraestrutura, lembrou o consultor Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria. Um dos destaques negativos dos dados divulgados hoje foram os projetos de infraestrutura, que receberam R$ 5,7 bilhões, 51% a menos (sem descontar a inflação) do que no primeiro trimestre de 2015.

Nesses casos, por causa das concessões de rodovias e aeroportos realizadas em 2013, ainda há alguma demanda por crédito. "Há demanda, mas o BNDES não está contratando empréstimos, porque o banco está repensando o risco das empresas", disse Frischtak, citando a operação Lava Jato como um dos entraves.

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