Rio de Janeiro - Os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) totalizaram, nos primeiros cinco meses deste ano, R$ 15,1 bilhões. O valor supera em 7% os empréstimos do mesmo período do ano passado. O presidente do BNDES, Guido Mantega, classificou o aumento de 7% razoável, mas admitiu que o desempenho ficou abaixo das expectativas, que eram de crescimento em torno de 20% sobre os R$ 14 bilhões liberados no acumulado janeiro/maio de 2004.
  Segundo anunciou o BN-DES, o crescimento das liberações no acumulado janeiro/maio deste ano se deve aos setores industrial e de infra-estrutura. O aumento dos desembolsos para o setor industrial foi de 23%, alcançando R$ 7,4 bilhões. Para infra-estrutura, as liberações aumentaram 15% somando R$ 5,1 bilhões.
  O segmento das micro, pequenas e médias empresas obteve R$ 4,7 bilhões, somando um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. A micros e pequenas representam 31% do total de desembolsos do banco. Para as exportações, foram direcionados US$ 1,6 bilhão com aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.
  Segundo esclareceu Mantega, o resultado global não foi melhor em função da crise vivida pelo setor agropecuário, cujos desembolsos tiveram queda de 30%, bem como da agroindústria, para o qual as liberações caíram 33% no período. O presidente do BNDES analisou que o segmento agropecuário sofreu uma crise este ano, provocada pela seca que prejudicou a produção de grãos. A retração nos desembolsos para o setor é explicada também pela baixa demanda por recursos no programa Moderfrota, dentro da agroindústria, ‘‘porque já há uma certa saturação de máquinas e implementos agrícolas’’, disse Guido Mantega. Garantiu, entretanto, que o BNDES continuará colocando recursos à disposição da renovação de frotas nesse setor.
  Mantega observou ainda que a queda nos desembolsos para o programa emergencial do setor elétrico, da ordem de 40% de janeiro a maio, também impactou de forma negativa sobre o desempenho no período.
  Guido Mantega afirmou que se o banco tivesse totalizado R$ 2 bilhões para agropecuária e mais alguns bilhões para o setor elétrico, o desempenho teria sido excepcional. Ressaltou, porém, que o fato de não ter atingido a meta não deve obscurecer o resultado. Destacou que vários segmentos estão tendo um desempenho muito bom dentro da indústria, cujos desembolsos cresceram 23%, entre os quais metalurgia (71%) e mecânica (70%), no setor de bens de capital, além de material de transporte (29%) e celulose e papel (46%). Frisou que ‘‘a indústria é, talvez, o melhor termômetro, é o setor que lidera a economia em um período de crescimento’’.

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