Desde 94, setor público nunca economizou tanto
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sábado, 22 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília 
O setor público registrou este ano o maior ajuste fiscal desde o início do Plano Real, em 1994. De janeiro a novembro, o setor público conseguiu economizar R$ 6,4 bilhões a mais do que estava fixado no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para todo o ano de 2001. A previsão do governo era de que, ao longo deste ano, as receitas superariam as despesas, excluindo os gastos com pagamento de juros, em R$ 40,2 bilhões. No entanto, essa economia, chamada de superávit primário, encerrou o mês passado em R$ 46,6 bilhões.
Esse esforço extra contribuiu de forma significativa, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, para dissociar a economia brasileira da argentina no meio da crise enfrentada pelo país vizinho. ''O comportamento do câmbio nas últimas semana refletiu, entre outros fatores, o resultado fiscal. Isso contribuiu para redução da percepção de risco do País e melhorou o andamento da economia em geral. O comprometimento com superávit primário ajudou no descolamento em relação a Argentina'', avalia Lopes.
Em outubro, a meta já havia sido cumprida com folga e a expectativa dentro do próprio governo era de uma pressão a mais por gastos no último bimestre. Entretanto, o que se verificou em novembro foi uma economia de R$ 2,4 bilhões. Esse dinheiro foi consumido com o pagamento dos juros que incidem sobre a dívida e, com isso, o resultado nominal do mês foi um déficit de R$ 4,9 bilhões.
Além da contribuição dos Estados e municípios, que se mantiveram empenhados em ajustar as contas e contaram com uma arrecadação de ICMS mais forte, o atraso de diversos ministérios em gastar o dinheiro previsto para este ano garantiu um ajuste primário maior em novembro.


