O descontrole dos gastos ampliou sua participação na lista de motivos da inadimplência, revela uma pesquisa sobre o perfil do inadimplente feita pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em setembro. O descontrole de gastos correspondia a 12,8% das causas da inadimplência há um ano, e este ano representa 22%. Embora em proporção menor, o desemprego continua sendo a principal causa para o atraso no crediário.
O estudo envolveu 2.916 entrevistados que procuraram o Serviço Central de Proteção ao Crédito para se informar sobre seus débitos. Entre os entrevistados, 37% estavam inadimplentes porque haviam perdido o emprego e 2% porque alguém da família havia ficado desempregado. Na pesquisa anterior, 31,3% estavam em débito por estarem desempregados e 11,5% por causa de alguém da família havia ficado desempregado. Em termos relativos, o desemprego passou de 42,8% das causas de inadimplência em setembro de 96 para 39% agora.
O crescimento do percentual de endividados por descontrole de gastos é para o presidente da Associação Comercial, Élvio Aliprandi, uma consequência do comportamento do varejo no segundo trimestre do ano passado. ‘‘Os prazos mais longos, os juros mais baixos facilitaram o acesso do consumidor ao crédito e muitos acabaram se endividando acima de sua capacidade de pagamento’’, diz. Hoje existem 4 milhões de carnês em atraso e o índice de inadimplência voltou a crescer (8%) em setembro.
Aliprandi observa também que o resultado da pesquisa não mostra que o desemprego diminuiu. ‘‘Pelo contrário, ele pode até ter crescido, mas em termos relativos sua participação é menor nos motivos da inadimplência.’ A pesquisa revela que o tempo de desemprego ainda é grande. Entre os entrevistados, 48% ficaram mais de 12 meses desempregados. A maioria dos inadimplentes (74%) tem entre 21 e 40 anos, é do sexo masculino (72%) e tem renda superior a R$ 700 (54%), contra expectativa de que a maioria dos devedores pertence à baixa renda.

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