Curitiba - Vale a pena pagar todas as contas em dia? Quem abre as páginas dos jornais, principalmente nesta época do ano, e lê notícias de descontos e prazos mirabolantes para quem está inadimplente com suas contas de telefone, impostos, entre outras, fica com essa pergunta na cabeça. É verdade que alguns planos têm o poder de tirar qualquer bom cidadão do sério. O que dizer, por exemplo, de pagamentos que prevêem 85% de desconto, quando você, que pagou em dia, não teve nenhum benefício?
Raiva à parte, antes de deixar as dívidas acumularem pensando nos descontos futuros, o cidadão deve ter em mente que a inadimplência, em geral, traz consequências. Quem deixa de pagar tributos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade sobre Veículo Automotor (IPVA) tem seu nome inscrito na dívida ativa do Estado ou dos municípios. O não pagamento de serviços tefônicos resulta na inclusão do seu nome em órgãos de proteção ao crédito como o SPC, Serasa e Equifax. Ter o nome nessas listas impede o acesso a linhas de financiamento, crediário em lojas de departamento, compra e venda de imóveis, entre outros prejuízos.
Foi para não ter esse tipo de problemas que o técnico em meio ambiente Mário Belão enfrentou fila na Prefeitura de Curitiba, dia 29, último dia para pagamento do IPTU-2005, uma vez que a partir de 1º de janeiro os débitos do exercício 2005 passarão, automaticamente, para a dívida ativa do município. Belão fez questão de quitar sua dívida. Tirou dinheiro do cheque especial para pagar R$ 720,00, correspondentes a sete parcelas atrasadas de três IPTUs, de seu apartamento e dois terrenos onde fica a casa do pai dele. ''A gente tem prioridades, paga primeiro o que é imprenscindível e por último aquilo que não interfere na nossa sobrevivência, como os impostos'', diz.
Um dos programas de pagamento mais atrativos é de pagamento de IPVA atrasado. Os motoristas que não quitaram o IPVA até 2004 podem pagar sua conta com isenção de multas e juros. O programa, em vigor até 30 de janeiro, prevê apenas a correção monetária do imposto. Pegando como exemplo um motorista que teria que pagar R$ 463,55 (valor atual), de IPVA referente a 1996, como esse plano ele pagará apenas R$ 91,35, ou seja, terá 80% de desconto, já que R$ 364,00 corresponde a juros e R$ 8,20 a multas foram anistiados. A dívida pode ser parcelada em até dez vezes, desde que o valor da parcela seja inferior a R$ 50,00.
De acordo com a Receita Estadual, a inadimplência de 1996 a 2004 no Estado com IPVA soma R$ 89,793 milhões e atinge a cerca de 133 mil veículos, com um total de 390 mil débitos. A média dos débitos é de R$ 234,00, e o índice de inadimplência é de 6% dos 2,3 mil veículos do Estado.

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