Desconto em folha tem taxa menor que microcrédito
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Sandra Manfrini<br> Agência Folha 
Brasília - As operações de empréstimo para trabalhadores da iniciativa privada consignado em folha de pagamento poderão ter taxas de juros menores que as cobradas nas operações de microcrédito, que é de 2% ao mês. Um convênio assinado ontem entre a Central Única do Trabalhador (CUT) e 11 bancos (Bradesco, BMG, HSBC, Santander, Alfa, Real, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco de Pernambuco, Sudameris, Lloyds Bank) vai garantir aos trabalhadores taxas que variam de 1,75% ao mês a 3,3% ao mês.
O presidente da CUT, Luiz Marinho, espera assinar até a próxima semana convênio com outros cinco bancos: Banco Itaú, Unibanco, Rural, VR e Fibra. Segundo ele, esses bancos não assinaram o convênio ontem por problemas operacionais.
Pelo acordo, os trabalhadores sindicalizados à CUT terão empréstimos a taxas de juros que vão variar de 1,75% ao mês, para operações de até seis meses, e a 2,6% ao mês para operações de até 36 meses. Para os trabalhadores não associados à CUT, a taxa de juros vai variar de 2% a 3,3% ao mês. As negociações com os bancos já podem começar a ser feitas pelas empresas ou pelos próprios de trabalhadores ligados à CUT. Para conceder o empréstimo, os bancos vão poder cobrar uma Taxa de Abertura de Crédito (Tac) de R$ 10 para associados e R$ 20 para não-associados.
''Reduzir spread é melhor em um processo de negociação, do que por decreto. A negociação às vezes é mais eficaz que um decreto'', disse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, que participou da solenidade de assinatura do convênio, realizada na sede do ministério.
O diretor-executivo do Bradesco, Paulo Isola, disse que esse é um acordo inédito. Segundo ele, o convênio deve ''contaminar'' todo o mercado no setor de crédito bancário e, ao longo do ano, o Bradesco pretende ampliar essas operações para outras categorias.
O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, disse que o crédito consignado oferece menos riscos aos bancos e, por isso, as taxas oferecidas pelos bancos foram mais baixas. ''O acordo é extremamente importante como mais uma medida de sustentação do consumo'', disse Mattoso.


