Desconto em folha já responde por 25% do crédito pessoal
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Os empréstimos com desconto em folha de pagamento já respondem por quase um quarto do total das operações de crédito pessoal concedidas pelos bancos no País. Em junho, segundo o Banco Central, de um total de R$ 36,7 bilhões de crédito pessoal, R$ 7,9 bilhões foram liberados na forma de empréstimos em consignação, operações que podem ser pagas diretamente no contracheque dos empregados e trabalhadores, conforme regulamentação baixada pelo governo no ano passado.
Esse tipo de crédito foi o que mais contribuiu para a alta de 1,8% registrada no mês passado no volume de empréstimos concedidos para pessoas físicas. Como essas operações são consideradas de maior garantia, a taxa de juros é menor. Em junho, a taxa cobrada foi de 38,9% ao ano em média, ante 71,9% ao ano no crédito pessoal tradicional.
No entanto, os empréstimos em consignação têm despertado pouca atenção dos bancos privados, que respondem por apenas 14,9% deste mercado, o equivalente a R$ 1,188 bilhão. A grande maioria das operações com desconto em folha - 85,1% do total, ou R$ 6,768 bilhões - está sendo feita por bancos públicos como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.
Ao todo, segundo o BC, os bancos movimentaram em junho R$ 442,4 bilhões em operações de crédito, o que representou um crescimento de 1,4% ante o estoque de maio. Em todo o primeiro semestre, o volume de dinheiro emprestado a empresas e pessoas físicas cresceu 7,9% em relação aos seis primeiros meses de 2003.
''Em julho os dados preliminares seguem a mesma linha'', disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Nos primeiros 11 dias úteis deste mês, o volume de crédito aumentou outros 1,4%. O crédito concedido às empresas registrou uma ampliação de 1,3%, enquanto que as pessoas físicas tiveram um aumento de 1,5% no volume liberado pelos bancos.
Em junho, nas linhas direcionadas para as empresas, as que registram maior crescimento foram aquelas voltadas para a administração do caixa no curto prazo. Foi o caso dos empréstimos para capital de giro, que cresceram 3,8%, totalizando R$ 34,3 bilhões, e do desconto de duplicatas, que subiu 6,9% no mês, alcançando R$ 8,5 bilhões.
Segundo Lopes, o aumento foi puxado pelos setores de bens não duráveis e semi-duráveis. Um exemplo, foi o crescimento dos empréstimos para supermercados e lojas de departamento. Na avaliação do economista, esse movimento está em linha com ciclo de retomada da atividade econômica. ''As empresas estão se aparelhando para atender à demanda desses bens'', destacou.


