O presidente da Embrapa, Alberto Portugal, acredita que muitos agricultores que saíram recentemente do processo produtivo - em consequência do processo de ajustamento estrutural da agropecuária brasileira, motivados pela abertura econômica - poderiam ter conseguido se manter no campo se conhecessem um pacote tecnológico mais adequado aos seus problemas.
‘‘Não quero dizer que a tecnologia seja salvadora, até porque existem outros gargalos como problemas de crédito e tarifa de importação, mas ela poderia proporcionar uma produtividade maior’’.
Alberto Portugal avalia que o processo de ajustamento com concentração da produção e aumento de escala é inevitável em praticamente todos os países, mas sugere que a sociedade brasileira através dos seus poderes constituídos faça uma opção consciente e clara do caminho a seguir. ‘‘Será que este ajustamento precisa ser feito no ritmo que está ou poderia ser mais lento?’’, questiona.
O ajustamento rápido da agropecuária brasileira está trazendo um custo social alto com a saída de pequenos agricultores do mercado, redução do emprego rural e do número de pequenas e médias indústrias.
‘‘Quando se permite internalizar produtos com um preço menor que o custo de produção da maioria dos produtores há uma enorme desestruturação do setor, como aconteceu com o algodão, o trigo e agora com o leite’’. Alberto Portugal lembra que o Brasil tem de 22% a 25% de sua população no meio rural e que se este processo de ajustamento reduzir 10% deste universo, teremos 16 milhões de pessoas excluídas do processo produtivo, que dificilmente encontrarão emprego no meio urbano.

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