Curitiba - O governo brasileiro está discutindo a adoção dos termos da convenção aprovada pela Organização Marítima Internacional que dispõe sobre o gerenciamento da água de lastro em todo o mundo. A organização decidiciu que a troca dessa água é obrigatória, disse ontem o gerente de segurança e gestão ambiental da Superintendência de Portos e Transportes Aquaviários (Antaq) Ricardo de Almeida Maia.
O gerente da Antaq participou do I Congresso Brasileiro de Responsabilidade Marítimo-Ambiental, que será encerrado hoje em Paranaguá. O evento foi promovido pela empresa de praticagem Paranaguá Pilots e o Instituto Brasileiro Sócio Econômico de Responsabilidade Ambiental (ISBRA).
Maia salientou que o assunto é extremamente sério e merece atenção especial. Citou como exemplo o surto de cólera em Paranaguá ocorrido no final da década de 90, que pode ter sido causado por vibriões trazidos pela água de lastro. O lastro consiste em qualquer material usado para dar peso ou manter a estabilidade de um objeto.
O transporte marítimo movimenta mais de 80% das mercadorias do mundo e transfere internacionalmente 3 a 5 bilhões de toneladas de água de lastro a cada ano. De acordo com Maia, a água de lastro é absolutamente essencial para a segurança e eficiência das operações de navegação modernas, proporcionando equilíbrio e estabilidade aos navios sem carga. ''Entretanto, isso pode causar sérias ameaças ecológicas, econômicas e à saúde'', afirmou.
O descaso com o meio ambiente é um dos principais fatores de elevação de custos na manutenção dos portos brasileiros, além de aumentar os riscos de acidentes, disse o presidente da Praticagem de Paranaguá, Augusto Moniz. Segundo ele, a iniciativa privada que atua na área portuária quer que o governo controle a degradação do meio ambiente em áreas de terra firme para evitar resultados indesejáveis no mar. ''Temos visto uma grande preocupação com a modernização dos portos brasileiros, mas não iremos muito longe se não pensarmos no desenvolvimento sustentável do meio-ambiente da costa do nosso país'', alertou.

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