Guto Rocha
De Londrina
A descapitalização do produtor e a queda dos preços da soja praticamente paralisaram os negócios no mercado de terras no Paraná. Segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura, Euzoni Czelujinski, os negócios com imóveis rurais estão restritos basicamente às pequenas propriedades. ‘‘Os produtores têm preferido arrendar a terra do que investir na compra da área’’, comentou.
Czelujinski afirmou que mesmo os produtores que tiveram um bom resultado na colheita não estão reinvestindo na aquisição de novas áreas para o plantio. ‘‘O preço da soja caiu bastante, e a maioria dos produtores preferem saldar seus compromissos com crédito rural ou fornecedores’’, disse. Segundo a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo, a rentabilidade soja por hectare sobre o custo variável da lavoura teve uma queda de 31% em abril e 18% junho deste ano sobre o mesmo período do ano passado.
Outro fator que desestimula os produtores rurais a investir em terras, segundo Czelujinski, é o problema das invasões pelos sem-terra. ‘‘Comprar grandes áreas acaba se tornando um risco, levando os produtores a optarem por propriedades menores’’, comentou.
O técnico do Deral observou que até mesmo o mercado de chácaras para lazer está calmo. ‘‘A manutenção destas chácaras é cara, e quem as adquire acaba investindo em alguma atividade que garanta algum retorno financeiro’’, afirmou.
Czelujinski observou que mesmo a oferta de terras sendo maior que o interesse de compra, os preços deste mercado estão praticamente estáveis, com uma pequena alteração positiva do início do ano para cá. O levantamento do Deral é feito mensalmente, e tem como base o mercado de terras nas diversas regiões do Estado.
Segundo o técnico do Deral, um hectare de terra nua roxa mecanizada na região de Londrina (19 municípios) era cotado a R$ 3,3 mil de janeiro até maio. A partir de junho, a mesma área passou para R$ 3,43, permanecendo neste nível até agora. No ano passado, a média de preços deste tipo de terra era de R$ 3.307,00. A terra nua mista mecanizada passou de R$ 2,66 mil em janeiro, para R$ 2,68 a partir de junho.
Na região de Cascavel, a terra roxa mecanizável permanece estável em R$ 3,5 mil desde fevereiro passado e a não mecanizável é cotada a R$ 2,1 mil desde janeiro. Na região de Campo Mourão, o hectare da terra roxa mecanizável também ficou estável em R$ 3,48 mil desde março. O mesmo tipo de terra a mecanizar é cotada desde março a R$ 2,82 mil.
O corretor de imóveis rurais de Londrina, José Adair Pirolla, afirma no entanto, que o mercado não está totalmente paralisado. ‘‘O mercado não está em plena atividade, mas temos realizado alguns negócios’’, afirmou, observando que na semana passada ele vendeu duas fazendas na região de Londrina. ‘‘A procura maior é por terras mecanizadas’’, afirmou.

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