Descapitalização afeta comércio junino
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A memória popular brasileira remete festa junina a fogos, doces, dança e muita música regional. A tradição, infelizmente, perdeu um pouco da força diante da descapitalização do trabalhador. O varejo dos fogos é um dos mais atingidos. Nos últimos anos, ele sobrevive graças às festas de Réveillon, inaugurações, formaturas e, ocasionalmente, a jogos de futebol.
Segundo Ivone dos Santos Chieffi, dona de uma loja com meio século em Londrina, o movimento está fraquíssimo. ''Antigamente, vendíamos muitos rojões e bombinhas nessa época do ano. Hoje, não compensa mais trabalhar no ramo'', afirma Ivone, que herdou o estabelecimento dos sogros.
De acordo com Paulo Henrique Piccolo, comerciante do setor em Cambé (13 km a oeste de Londrina), a concorrência das barraquinhas sazonais e a falta de fiscalização pioram a situação. ''Além disso, o preço dos fogos têm subido enquanto o salário mínimo continua baixo'', completou Piccolo que prevê aquecimento nas vendas durante as próximas eleições.
Da mesma forma, a maioria das casas especializadas em doces industrializados também não depende mais dos 'caipirinhas'. Para elas, a melhor época do ano é a Páscoa e a segunda é o Dia das Crianças. Em junho e julho, as vendas de paçoquinha, pé-de-moleque, doce de abóbora e outros sempre aumenta um pouco devido às encomendas de escolas e empresas. Esses são os responsáveis pela euforia de Celeste Catori que aumentou seu faturamento em relação a mesma época do ano passado. Para o vizinho e concorrente Marcos Ferreira da Silva, o volume de vendas está igual a 2003. O também vizinho Armando Pelisser, no entanto, acredita que este ano o resultado ficará 30% abaixo do esperado. Segundo ele, a queda no movimento começou com as chuvas de maio e continuou com os últimos dois feriados que caíram durante a semana. ''Para mim, 2004 está sendo o mais difícil dos últimos cinco anos'', avalia o comerciante.
No ramo de confecções, não houve alteração em relação a 2003. Como qualquer lojista, Cristina Geha trabalhou com a esperança de vender mais este ano. ''Acredito que a chegada antecipada do inverno incentivou os consumidores a investir mais em roupas e faltou dinheiro para o lazer'', deduz. Mohamed Nain disse em 1968, quando abriu a loja, o lucro sustentava duas famílias e, atualmente, mal suporta ela mesma. Na sua opinião, a culpa é a falta de poder aquisitivo da população que, consequentemente, força a queda nos preços. Na calçada da Rua Sergipe (centro de Londrina), ele oferece vestidos infantis para festas típicas dessa época do ano com preços que variam de R$ 12,90 a R$ 22,00 e camisas em padronagem xadrez entre R$ 11,90 a R$ 15,90.


