Desburocratizar reduz custos de empresas
O Brasil ainda é o país dos cartórios, do carimbo, das assinaturas em três vias com firma reconhecida e várias testemunhas para confirmar e avalizar. Em alguns casos a burocracia brasileira desafia a sanidade do contribuinte. Com raras exceções, tratar com os governos parece ser complicado, difícil e demorado. O Brasil já entrou na era da assinatura digital, mesmo assim ainda precisa ir ao cartório para pegar um carimbozinho.
Quanto mais burocratizado os processos, menor é a agilidade e a capacidade de reação da economia. Representantes do governo disseram dias atrás que agora tudo vai mudar. O Ministério do Planejamento está elaborando uma série de medidas para dar agilidade no trato da coisa pública. Órgãos federais, por exemplo, não poderão exigir informações do contribuinte que já constem de bancos de dados da administração pública. Em caso de declaração falsa, o cidadão ficará sujeito a sanções penais e administrativas.
As múltiplas exigências que são feitas às empresas explodem nas mãos dos contadores, começando pela abertura da empresa processo que em alguns lugares do país pode levar meses, afirma o presidente do Sescap-Ldr, Paulo Caetano. Ele lembra que a Dacon, DBF, DCIDE, DCTF, DIF, DIMOB, DIRF, DITR, PER/DCOMP, são apenas algumas das 29 declarações que os contadores precisam encaminhar para a Receita Federal sobre a vida fiscal dos seus clientes.
Com a implantação de sistemas como a Nota Fiscal Eletrônica e a Escrituração Fiscal Eletrônica, espera-se que a burocracia seja reduzida. Várias empresas já estão adotando a NF-e. A multinacional Milenia Agrociências, de Londrina, antecipou em nove meses a implementação da nota fiscal eletrônica (NF-e). Além de ser mais econômico, o sistema traz benefícios, entre eles, a menor burocracia. Segundo Clésio Silva, controller da Milenia, mensalmente a empresa coloca em circulação 3,5 mil notas fiscais, em quatro vias, o que representa 14 mil formulários por mês e 170 mil por ano. Com o procedimento eletrônico, vamos economizar na emissão e armazenamento de documentos em papel, explica.
Outra boa razão para antecipar-se à nova regulamentação é a redução no tempo de parada em postos fiscais nas divisas interestaduais. Por ano, mais de 4 mil caminhões saem das unidades da Milenia localizadas em Londrina, Cruz Alta e Taquari (RS) e carga parada é sinônimo de prejuízo para a empresa e para o cliente. O ganho de tempo nas barreiras fiscais é enorme, pois todas as informações da nota fiscal já foram previamente validadas pelo Fisco, comenta o controller.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr este é um exemplo do que pode ocorrer, porém é preciso empenho do governo em outras áreas. A cada dia o governo tem mais e mais informações sobre a vida das empresas. Portanto não há a necessidade de tantas declarações sendo que as informações já estão armazenadas nos servidores da Receita, afirma. Na sua avaliação, estes novos sistemas da Receita também ajudam a reduzir a sonegação a quase zero.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina Sescap-LDr





