Desastre japonês repercute na economia do Brasil
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terça-feira, 15 de março de 2011
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Os prejuízos econômicos do desastre que assolou o Japão na última sexta-feira poderão cruzar as fronteiras e afetar a economia brasileira, no entanto, sem grande magnitude. A estimativa é do economista Fabiano Abranches Silva Dalto, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba. Novas oportunidades de emprego e também de exportações poderão surgir nos próximos meses.
A chance dos acontecimentos do país asiático terem grande impacto sobre o Brasil é bem remota, segundo Abranches. Embora o Japão tenha relação importante com o Brasil, como em investimentos no setor de mineração, o volume não é muito quantitativo para a economia. Alteração no preço da energia em geral (petróleo, indiretamente o álcool e eletricidade) é a consequência mais plausível no momento. ''Por enquanto, tudo é especulação. Não há informações suficientes para sermos categóricos'', afirma.
O terremoto de 8,9 graus na escala Richter e os tsunamis podem ser responsáveis pelo desastre natural mais caro da história: cerca de US$ 100 bilhões em prejuízos materiais, segundo estimativa da consultoria internacional Eqecat, divulgada pela rede de TV americana CNN. ''O mundo ainda está no meio das consequências da crise econômica que começou em 2008 nos Estados Unidos. Vivemos um clima tenso nas finanças internacionais que pode ser agravado pela catástrofe do Japão'', observa. De acordo com Abranches, é provável que as empresas japonesas retirem seus lucros do Brasil para aplicar aonde estiver precisando.
O economista Antônio Eduardo Nogueira, professor e chefe do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aponta que a primeira iniciativa a ser adotada pelo país asiático será o redirecionamento de boa parte das finanças da economia local para reconstruir o que foi perdido, ''e isso, consequentemente, vai desacelerar os investimentos no Brasil e outros países''. ''O Brasil pode ser afetado, visto que a partir dos anos 90 o Japão começou a investir mais efetivamente aqui por meio de suas empresas, como a Honda e Toyota, por exemplo'', acredita.
Esse novo cenário pode aquecer a desaceleração da economia brasileira, cuja previsão para 2011 não é tão promissora quanto em 2010. Outro fator apontado por Nogueira é a diminuição da remessa de recursos que entram no Brasil por meio dos dekasseguis. ''A dificuldade maior provavelmente será a captação de recursos'', acredita. Para ele, o sistema financeiro internacional possivelmente terá reflexos, pois os países mais ricos que emprestam dinheiro para os mais pobres vão direcionar os negócios ao Japão, ''que mesmo tendo uma boa reserva, poderá precisar de auxílio devido aos enormes gastos que terá para recuperar a sua infraestrutura''.
Por outro lado, Nogueira acredita que as possibilidades de exportação do Brasil para o Japão poderão ser maiores a partir de agora, principalmente em alimentos, minério, ferro e demais materiais utilizados na construção civil. Além disso, poderão contratar mão de obra brasileira, abrindo espaço para os dekasseguis.


