Em Alagoas, região de Maragogi também foi atingida pelas manchas de óleo
Em Alagoas, região de Maragogi também foi atingida pelas manchas de óleo | Foto: Diego Nigro/Governo de Pernambuco/AFP

O desastre ambiental provocado pelo derramamento de óleo na costa brasileira preocupa turistas com viagem marcada ou que planejam ir para o Nordeste. Nos últimos dias, o petróleo atingiu o litoral daquela região e várias praias foram afetadas. Por enquanto, os viajantes demonstram cautela. Ainda não há pedidos de cancelamento de pacotes nas agências em Londrina, mas muitos clientes buscam informações sobre a viabilidade de viajar para alguns dos destinos turísticos mais populares do País durante o verão, como Maceió (AL), Porto de Galinhas (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), Praia do Forte e Costa do Sauípe (BA).

“Recebemos muitos questionamentos sobre como fica para cancelar ou alterar a data, mas estamos em contato com os hoteleiros e com nativos e eles estão nos informando sobre as condições das praias diariamente. Filmam, mandam para nós. Até o momento, ninguém pediu para cancelar a viagem”, disse a supervisora de vendas da Valentin Turismo em Londrina, Fernanda Lochini. Segundo ela, relatos de passageiros que acabaram de voltar das praias nordestinas também dão a segurança de que o vazamento de óleo, ao menos até o momento, não prejudica a viagem.

A supervisora afirma também que o desastre ambiental não reduziu o interesse dos viajantes por aquela região do País. “A demanda continua a mesma. Estamos fechando pacotes para o Natal, Réveillon e início de ano”, comentou Lochini. “Não tenho como afirmar para os turistas que quando eles chegarem lá a praia estará livre de óleo, mas o pessoal de lá que trabalha com o turismo está trabalhando para que isso não atrapalhe as férias de ninguém.”

Na loja da CVC na avenida Higienópolis, o litoral nordestino segue como um dos principais destinos de interesse dos turistas. A CVC é uma das empresas brasileiras que mais vendem pacotes para o Nordeste. “Fechei hoje um pacote de R$ 37 mil para Porto de Galinhas”, disse a supervisora de vendas, Eloisa Cristina de Oliveira. “A gente tem visto muitas notícias sendo veiculadas, mas que não condizem com a realidade local. A comunidade de lá está unida para trabalhar o quanto for necessário para limpar as praias sem ter que esperar uma atitude do governo porque vive disso”, destacou.

Em todas as agências consultadas pela reportagem, os agentes de viagem confirmaram que o desastre ambiental preocupa, sim, os turistas. Eles perguntam sobre as condições das praias, querem saber da possibilidade de cancelar ou adiar as férias e também sobre reembolso, mas não desistem da compra. “Os passageiros com viagens para o litoral do Nordeste agendadas para novembro ou dezembro não nos ligaram para reagendar ou cancelar a viagem. Estão aguardando”, disse a agente de viagens da Albatroz Turismo, Roberta Rinaldi.

“Nem todo mundo que vai para o Nordeste vai para entrar no mar e ficar no mar. Eles vão curtir a estrutura do hotel, as piscinas. Os hotéis são muito bem preparados. E com essa questão do vazamento de óleo, há clientes que estão investindo mais para ter um hotel com uma estrutura melhor”, disse Oliveira, supervisora da CVC.

DIREITOS DO CONSUMIDOR

Quem está com passagens e hotéis reservados para praias do Nordeste que tenham sido atingidas pelo vazamento de óleo e quiser desistir da viagem, deve entrar em contato com a companhia aérea e o hotel e solicitar o cancelamento e o reembolso. O coordenador do Procon em Londrina, Gustavo Richa, informou que há um consenso entre especialistas em direito do consumidor de que se a praia já tiver sido contaminada pelo óleo, o cancelamento deve ser isento do pagamento de multa. O reembolso também pode ser solicitado.

Caso as empresas insistam na cobrança de qualquer ônus ao consumidor, Richa orientou que o cliente procure o Procon para formalizar a reclamação. “Primeiro o consumidor deve entrar em contato direto com a companhia aérea ou com a agência e se houver alguma dificuldade pode recorrer ao Procon. Mas só vale para viagens que têm como destino os locais onde o óleo já chegou”, ressaltou Richa.

“Os pedidos de cancelamento com reembolso integral ou remarcação são analisados caso a caso pela companhia aérea e o hotel. A solicitação é sempre feita baseada em notícias. A gente solicita que o passageiro formalize seu pedido por e-mail e encaminha para as empresas. Neste caso, esperamos que a resposta seja positiva”, explicou a supervisora de vendas Fernanda Lochini.

mockup