O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), juntamente com as Polícias Federal, Civil e Militar e as Receitas Federal e Estadual deflagraram na madrugada de ontem, em Guarapuava, a Operação Hidra, com o intuito de desarticular uma organização criminosa oriunda da cidade, mas que atuava em 19 municípios da região Sul, sendo 13 do Paraná, quatro de Santa Catarina e dois de São Paulo.
A quadrilha constituída por três irmãos promovia principalmente a sonegação de impostos, em grande parte através de postos de combustíveis distribuídos pelo Estado. Participaram da operação 300 integrantes das instituições para cumprir 96 mandados na região Sul. O Gaeco de Londrina e a Polícia Federal cumpriram um mandado num cartório da cidade e realizaram três apreensões de documentos em postos de Bandeirantes, no Norte Pioneiro. Entre cheques e dinheiro vivo, a polícia apreendeu por volta de R$ 2 milhões, além de computadores, documentos e carros importados.
De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal de Guarapuava, Maurício Todeschini, os trabalhos iniciaram com o Gaeco do município. Os criminosos estavam atuando, pelo menos, desde 2006. Os crimes envolvem sonegação de tributos fiscais em rede de postos de combustível, lavagem de dinheiro, fraudes à execução fiscal, blindagem patrimonial, ocultação de bens, entre outros. Uma estimativa é que pelo menos R$ 400 milhões tenham sido sonegados neste período. ''Eles utilizavam dezenas de 'laranjas e testas de ferro' para dificultar o rastreamento do fisco'', explica o delegado.
Para não chamar a atenção, os bandidos também passaram a atuar em outras cidades do Paraná e também em Santa Catarina e São Paulo. ''Além de postos de combustíveis, eles sonegavam através de outras empresas, como transportadoras, imobiliárias e construtoras'', explica Todeschini.
Entre as táticas de sonegação, a organização utilizava o método de constituir num mesmo local físico diversos estabelecimentos comerciais do mesmo ramo (múltiplas inscrições de ICMS e CNPJ com pequenas alterações de endereços), sendo a maioria em nome de pessoas sem capacidade financeira, geralmente os frentistas dos próprios estabelecimentos. ''Eles utilizavam os próprios funcionários nos esquemas. As pessoas tinham jet-ski, carros de luxo e mansões em seu nome, e nem sabiam disso'', comenta o delegado-chefe de Guarapuava.
A partir de agora, com a posse de diversos documentos, novas ações serão deflagradas pela Receita Federal, assim como pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na constituição e na cobrança dos débitos, contanto com elementos que comprovam todo o esquema fraudulanto. Na operação realizada ontem, ninguém foi preso.

Imagem ilustrativa da imagem Desarticulada quadrilha especialista em sonegação
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