Desaquecimento 'favorece' balança
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Agência Folha<br> De Brasília 
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) prevê que a balança comercial em 2001 poderá apresentar superávit próximo a US$ 2 bilhões, conforme a estimativa mais otimista divulgada ontem pelo Banco Central. O saldo teria entre suas causas o impacto da alta taxa de câmbio e a diminuição do ritmo da atividade econômica nas importações programadas para o último trimestre do ano, principalmente as de bens de consumo. A balança, entretanto, poderá ainda ser beneficiada pela devolução de aviões que as companhias aéreas brasileiras haviam comprado por leasing.
''Tivemos um déficit de US$ 729 milhões em 2000, mas teremos um resultado mais positivo neste ano. Podemos chegar a um número próximo ao divulgado pelo Banco Central'', afirmou a secretária Lytha Spíndola. ''Fico feliz em ver que, com o efeito do câmbio nas importações, teremos um Natal mais brasileiro'', completou.
Segundo Lytha, outubro deste ano deverá apresentar uma queda sensível nas importações de bens de consumo, em relação ao mesmo mês de 2000 - o período no qual a Secex verificou um pico dessas compras. Essa queda teria como causa também a maturação de investimentos realizados no ano passado. Essa produção nacional substituirá produtos que vinham sendo importados.
De acordo com os dados da Secex, a tendência de redução dessas compras vem sendo indicada nos últimos meses. O grupo de bens de consumo duráveis, cujo principal item são os veículos, cresceu 22,3% em junho e 15,7%, em julho, em comparação com os mesmos meses de 2000. Mas, em agosto teve queda de 1,6%. Os bens de consumo não duráveis - alimentos e bebidas, em especial - vêm apresentando recuos desde abril. As quedas foram de 8%, em junho, de 15%, em julho, e de 17%, em agosto.
Segundo Lytha, a importação de insumos e bens intermediários continuará em queda. Em agosto, chegou a menos 6,5%, em relação ao mesmo mês de 2000. Mas as compras de bens de capital, que funcionam como um indicador da paralisação de processos de investimentos e de um quadro recessivo, continuam crescendo modestamente. Em agosto, aumento foi de 4,5%.
Conforme indicou, o último trimestre deverá apontar redução nas vendas de manufaturas e de produtos básicos.
No caso do segundo grupo de produtos, a diminuição nos últimos três meses terá como causa o fim da safra agrícola. Essas quedas de exportações tenderão, entretanto, a ser compensadas pela devolução de aeronaves pelas companhias aéreas nacionais. De janeiro a agosto, essas reexportações garantiram US$ 452 milhões para a balança comercial - quase a metade do saldo positivo do período, de US$ 659 milhões.


