O volume de vendas no comércio varejista registrou redução de 0,3% no Paraná em junho sobre maio, em trajetória que aponta tendência de queda. A desaceleração econômica tem aparecido mais no setor, que, ao lado de serviços, é um dos últimos a sentir a crise. Assim, o Estado soma alta de 0,7% no resultado dos últimos 12 meses em relação ao mesmo período imediatamente anterior e de 0,3% no semestre, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os números estaduais diferem um pouco dos nacionais, mas apontam no mesmo sentido, dizem economistas ouvidos pela FOLHA. As quedas no volume de vendas do comércio no País foram de 0,4% em junho sobre maio, de 2,2% em 12 meses e de 0,8% no semestre. Do mesmo modo, os índices apontam redução maior nos últimos trimestres do que no fim de 2014.
Quando considerado o varejo ampliado, que inclui vendas de peças automotivas ou veículos e de materiais de construção, os resultados da PMC são ainda piores. Como se tratam de produtos de custo maior e que são mais fáceis de terem a compra adiada do que alimentos, por exemplo, houve queda no volume de vendas paranaense de 2,1% em junho sobre maio, de 5,0% em 12 meses e de 6,4% no semestre. No País, os resultados foram negativos em 3,5%, 4,8% e 6,4%, respectivamente.
Para o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, o resultado está dentro do esperado diante da política econômica do governo federal, que elevou as taxas de juros para enfraquecer o consumo e obter queda na inflação. "Também é o começo do reflexo do aumento do desemprego, todo um cenário que caminha para a queda nas vendas", diz.
No entanto, Antunes projeta a redução da inflação nos últimos trimestres do ano e uma redução drástica em 2015. "Esse desaquecimento deve fazer com que 2015 tenha uma inflação próxima a 10% e que 2016 fique perto de 5%, o que é uma diferença grande."
Sobre o Paraná melhor do que o País, ele considera que se trata da influência da agropecuária. "O Interior sofre menos porque o setor agrícola está bem, assim como em Londrina, que depende mais de serviços do que da indústria. Porém, a Região Metropolitana de Curitiba, mais industrial, está em linha com esse resultado nacional."
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que o Paraná e o Brasil estão com a mesma linha descendente, com diferenças em relação aos números por questões regionais. Para agosto e setembro, contudo, ele acredita que é provável que os resultados fiquem estáveis. "No segundo semestre, a base de comparação de 2015 passará a ser o mesmo período de 2014, que já era mais fraca e trazia essa tendência de queda. O que não significa que as vendas aumentarão."
Rambalducci completa que a PMC também indica o processo inflacionário alto vivido pelo País. "Mesmo com a queda de 0,4% no volume de vendas, houve aumento de 0,8% na receita, o que mostra o tamanho da majoração dos preços", diz o economista.

Causa política


De acordo com o presidente do sindicato dos economistas, o País sofre hoje mais com uma crise política do que com a econômica. Ele acredita que a recuperação poderia vir em 2016, mas que deve atrasar devido à rixa entre os poderes Executivo e Legislativo, em Brasília. "Com a crise política, todos os mecanismos econômicos ficam sem previsibilidade e isso agrava o cenário", diz.

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