O desemprego registrado pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em julho apresentou um ligeiro recuo e ficou em 6,2%, contra 6,4% registrados em junho. A taxa foi a menor para o mês de julho desde o ano de 1997, quando ficou em 6%. Os dados surpreendem porque não refletem a desaceleração da economia brasileira e os juros altos, no segundo mês de racionamento de energia.
O setor da construção civil foi o mais afetado e apresentou taxa de desocupação de 7,9%. Já a indústria de transformação apresentou taxa de 6,7%. No comércio, o desemprego atingiu 6,7% e, no setor de serviços, 4,9%. Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, foi apurado que 1,125 milhão de pessoas estão desempregadas. A média do desemprego entre janeiro e julho de 6,3% também ficou inferior ao mesmo período do ano passado, quando atingiu 7,7%.
Entre as regiões pesquisadas, a maior taxa de desemprego ficou por conta da região metropolitana de Salvador, que apontou índice de desocupação de 8,7%, seguida por Recife, com 8,5%, e Belo Horizonte, com 7%. Em São Paulo, a taxa recuou um pouco e passou de 6,5% para 6,2%. Em Porto Alegre, o desemprego atingiu 5,5% da PEA (População Economicamente Ativa), enquanto que no Rio de Janeiro foi de 4,4%.
Um das explicações para o resultado do desemprego em julho é a queda de 3,5% no número de pessoas procurando trabalho, em relação a junho. Na comparação com julho do ano passado, a queda é de 14,6%. No entanto, o tempo médio de procura de trabalho, em julho, foi de 21,9 semanas, superior ao registrado no mês anterior, de 21,1 semanas.

Além disso, o número de pessoas fora do mercado de trabalho aumentou 0,4% em julho em relação ao mês anterior, o que pode ser explicado pela desistência das pessoas em procurar trabalho. Esse número também apresentou aumento, de 6,1%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Entre as pessoas ocupadas, subiu o número de empregados com carteira assinada (0,7%) e o número de trabalhadores por conta própria (1,1%).
A renda média do trabalhador subiu 0,8% em junho, em relação a maio. No entanto, o IBGE apurou queda de 1,7% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2000. A renda também caiu 4,5% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Esses números traduzem o reflexo do desaquecimento econômico, já que, ao invés de demitir, as empresas estão preferindo diminuir os salários para manter os postos de trabalho. O IBGE divulga os dados do rendimento médio com um mês de atraso em relação aos dados do desemprego.
Se não aumentou o desemprego, o desaquecimento econômico traduziu-se, no mercado de trabalho, segundo o IBGE, no chamado desalento do trabalhador. Ou seja, as pessoas estão desistindo de procurar emprego. ''Com o período de desaceleração econômica, o número de pessoas procurando trabalho está caindo e estamos supondo que as pessoas estão desestimuladas e não estão procurando trabalho'', afirmou ontem a analista do departamento de emprego do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza.
Segundo a pesquisa de emprego do IBGE, o número de pessoas trabalhando caiu 0,3% em julho na comparação com o mês anterior. ''O desemprego caiu. No entanto, a ocupação também'', disse a técnica do IBGE. Outro indicador que mostra a diminuição do mercado de trabalho e da desistência em procurar emprego é o comportamento da taxa de atividade. Essa taxa, que estava em 58,1% em julho do ano passado, recuou para 56,4% em julho deste ano.
A taxa de atividade corresponde à participação das pessoas em idade ativa que estão na PEA. São as pessoas que têm 15 anos ou mais e estão trabalhando ou procurando trabalho. ''Está acontecendo uma desaceleração do crescimento do contigente de pessoas trabalhando e uma aceleração do crescimento do número de pessoas fora do mercado de trabalho. Houve queda na taxa de atividade e um crescimento na taxa de inatividade'', disse Shyrlene.
Entre os que estão fora do mercado de trabalho, o IBGE considera pensionistas, aposentados, estudantes, donas-de-casa e aqueles que não estão trabalhando e não procuram emprego. De janeiro até julho, essa população, denominada população não economicamente ativa, aumentou em 6,2%. No entanto, a população economicamente ativa, que inclui quem trabalha e busca trabalho, caiu 0,3%. Soma-se a estes dados o fato de o número de pessoas que poderiam trabalhar, com 15 anos ou mais, ter crescido 2,4% nos primeiros sete meses do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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