Desafios são diversificar pauta e incentivar produção
O desafio para os próximos anos para o Paraná é diversificar a pauta de negócios e, para o País, incentivar a produção, e não apenas o consumo, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA.
A professora de economia Fátima Campos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), avalia que o Estado está vulnerável a flutuações externas devido à maior dependência dos setores automotivo e de agronegócios, que são os mais representativos em cada lado da balança comercial. ''O Paraná precisa de incentivos a outros segmentos, para desconcentrar a pauta de importações e de exportações. É preciso estimular o desenvolvimento de tecnologia, por exemplo'', diz.
O economista Roberto Zurcher afirma que no Brasil o exemplo pode vir da Argentina. ''Eles têm impostos de exportações mais altos para produtos básicos do que para industrializados.'' Ele exemplifica que o trigo em grão paga taxa mais elevada do que a farinha, que tem valor agregado. ''Isso indica o que interessa exportar para o País'', destaca, ao considerar que tal sistema não deve demorar para ser implantado no Brasil. No País, Zurcher lembra que a Lei Kandir, de 1996, permite a exportação de matéria-prima sem impostos.
Com um plano nacional de desenvolvimento, com metas e prazos definidos, o economista acredita que o País chegue ao desenvolvimento. ''O que temos hoje são planos para Copa (do Mundo de 2014) e Olimpíadas (do Rio em 2016), que são pontuais'', diz. Mas ele alerta para outro setor o qual o governo precisa de foco. ''Tudo começa na escola, como a Coreia (do Sul) faz desde os anos 60. Em comparação com a China, no Brasil, o aluno fica quatro horas na sala de aula e lá, oito. Aqui, tem de pagar para ter qualidade e lá é gratuito.'' (F.G.)






