O futuro secretário de Segurança, o promotor Luiz Fernando Delazari, que deve assumir o posto na semana que vem, tem uma série de desafios pela frente. Um dos assuntos mais melindrosos é a questão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Na sexta-feira, apenas um dia depois de Luiz Fernando ter sido anunciado pelo governador como o titular da pasta, um grupo de aproximadamente 150 agricultores liderados pelo MST ocupou área da Monsanto em Ponta Grossa. Houve também, nos últimos dias, uma ocupação em Lindoeste (50 quilômetros ao Sul de Cascavel). O MST quer ainda negociar com o governo a disponibilização de atendimento médico em acampamentos e assentamentos. Essa reivindicação dos sem-terra terá que ser intermediada pelo secretário de Saúde, Cláudio Murilo Xavier.


Superlotação


Outro problema do novo secretário está na superlotação dos distritos policiais. Para se ter uma idéia do excesso de presos e da falta de estrutura no sistema, somente no 8º Distrito em Curitiba há 106 presos, enquanto a capacidade é para 44 pessoas. Nos quatro meses e meio que passou à frente da pasta, Requião deflagrou um conjunto de ações com o objetivo de limpar a polícia.


Memória


Toda terça-feira pela manhã, o governador se reunia com assessores no Palácio Iguaçu para discutir a área de segurança. Mudou o estatuto, para agilizar a punição de policiais corruptos, e lançou um pacote de combate ao crime organizado. Ações que Luiz Fernando terá de assumir agora.


Gratificação


O governador quer que a Assembléia Legislativa aprove mensagem propondo uma gratificação aos policiais civis e militares, no valor de R$ 100,00, por cada arma que apreenderem. A medida faz parte da operação de desarmamento que será realizada em todo Estado. Na mesma mensagem, será proposto um seguro de vida no valor de R$ 100 mil reais para policiais civis e militares. O gerenciamento das ações de desarmamento da população e combate ao crime organizado ficará sob a responsabilidade direta de Luiz Fernando.


Liberação


Luiz Fernando deve ser liberado da carreira no Ministério Público pelo Conselho Superior da instituição, que se reúne nesta segunda-feira.


Sacolejando


Requião faz questão de conferir in loco a precariedade das estradas do Paraná, durante as viagens que faz. Na última quinta-feira, sentiu na pele a situação terrível de alguns trechos esburacados na região de Cândido de Abreu (191 quilômetros ao Sul de Apucarana). Ao visitar uma aldeia indígena próxima à cidade, onde lançou o programa Leite das Crianças, o motorista do Ômega que levava o governador teve trabalho para desviar dos buracos que pipocavam na estrada. A viagem seria mais fácil a cavalo. Requião, aliás, tem nos cavalos um hobby, desde que prestou serviço militar.


Sururu


A ação popular ajuízada em Londrina, na semana passada, que pede a devolução de R$ 2 milhões pagos pela Sercomtel e prefeitura municipal, em 1997, durante a gestão Antônio Belinati (sem partido), a dois escritórios de advocacia em Curitiba, contratados sem licitação, movimentou os bastidores de órgãos de peso: o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba e a Procuradoria Geral do Estado (PGE).


Ligações


Um dos advogados apontados na ação, como beneficiário do contrato milionário, Clémerson Merlin Clève, é também procurador do Estado, além de ser casado com a atual procuradora-chefe da República no Paraná, Marcela Peixoto.


Saia-justa


Desde que Requião assumiu o governo do Estado, a PGE anula contratos envolvendo grandes somas, pagas durante o governo Lerner (PFL). Daí, o constrangimento do órgão com a menção de um de seus pares neste caso.


Mistério


Já no MPF, lembra-se agora que, em junho de 2000, um dos procuradores da República, de Curitiba, baixou portaria instaurando procedimento criminal preliminar sobre as negociações da Sercontel, avocando para si investigação iniciada pelo MPF em Londrina. Se a investigação avançou, ninguém sabe, ninguém viu.


Perguntinha


Quem vence a queda de braço na Fiep: o candidato de Requião ou o de Alvaro Dias?

Leandro Donatti e sucursais
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