Assim como o diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, o superintendente do Grupo Folha de Comunicação e presidente do Sindejor, José Nicolás Mejía, não acredita no fim do jornal impresso. "Com certeza, iremos ainda experimentar algumas mudanças importantes ao longo do tempo, assim como já aconteceu no passado. Basta pegar um título de jornal de 10, 20 ou 50 anos atrás para vermos quanta coisa mudou", afirma.

Leia Mais:
Superintendente da FOLHA assume sindicato dos jornais

Para ele, as novas mídias poderão ser integradas ao impresso, levando o leitor a uma nova forma de ler jornal. "Veja por exemplo o caso do realidade aumentada, que hoje já utilizamos na edição #FDS da Folha de Londrina. O que antes era só um conteúdo estático, escrito e fotográfico, hoje pode ser dinâmico, complementado com vídeo, gráficos com movimento, links, etc. As possibilidades são infinitas", declara.

Mejía diz que é obrigação dos veículos de comunicação conhecer seu público. "Muitas coisas que são um sucesso em determinado jornal de determinado país ou região não têm dado resultado em outro", conta. No caso da FOLHA, segundo ele, há uma base estável de assinantes da edição impressa, "com um pequeno crescimento". Na versão digital, segundo ele, o crescimento é cada dia mais significativo. "A mídia digital complementa a impressa e vice-versa."

Para o superintendente, não há solução única para o "negócio jornal". Cada empresa precisa buscar o próprio caminho para se viabilizar frente às mudanças. "As mudanças continuarão ocorrendo e não acredito que tenha uma solução específica que seja geral para todo mundo", pondera.

Ele chama a atenção para os riscos que a internet oferece para a informação da sociedade. "Lamentavelmente, assim como democratizou o acesso à informação, a internet também prostituiu um pouco a informação", alega. "Já existem dados de que a maioria da população jovem não diferencia o conteúdo real, verdadeiro, do conteúdo fake, mentiroso", alerta.

Neste contexto ele salienta a importância do jornalismo. "As pessoas precisam de informação de qualidade, que não foi criada, mas que foi apurada, bem escrita e aprofundada. Essa é a diferença entre o conteúdo jornalístico e o conteúdo que qualquer um pode colocar na rede", ressalta.

Mejía reconhece no crescimento dos jornais norte-americanos, desde a campanha do presidente Donald Trump, uma clara demonstração de que a sociedade volta a perceber o valor no "jornalismo sério". "Tanto que os principais jornais dos Estados Unidos aumentaram quase 300% a operação agora, após a mudança de presidente. Pois as pessoas estão buscando fontes fidedignas,confiáveis, verdadeiras, idôneas e imparciais. Buscando a informação real."

O superintendente diz que a mudança do modelo de negócio passa pela reestruturação das redações. "Considero que ainda vamos passar por um tempo de acomodação e os jornalistas precisam aprender a ser multifuncionais. Existe uma tendência das redações serem menores, mas não por isso perder a qualidade. O que vai acontecer é a redução do volume de informação e a melhora da qualidade, fazendo o conteúdo transmídia. É preciso transitar por diferentes mídias para complementar a informação que a gente quer comunicar", complementa. (M.M.)

mockup