Buenos Aires - ''Chegar até março''. Esta é a maior preocupação no momento do governo do presidente Eduardo Duhalde. Nesse mês, no ano que vem, serão realizadas eleições presidenciais, e possivelmente, também para o Congresso Nacional e os governos provinciais. Nas últimas 72 horas, Duhalde, considerado pelos analistas políticos como ''o presidente mais fraco da história argentina'', enfraqueceu-se mais ainda com o fim anunciado - e antecipado - de seu governo. A interpretação dos setores políticos em Buenos Aires era que com a antecipação, Duhalde oficializou sua frágil posição.
Para chegar até março, Duhalde tentará maquiar a atual situação da melhor forma que suas escassas possibilidades permitirem. O primeiro passo foi o de iniciar uma grande reforma ministerial, com o qual pretende injetar um pouco de energia em seu governo.
A primeira baixa desta reforma foi Jorge Vanossi, forçado a deixar o ministério da Justiça na quarta-feira à tarde, depois de informar-se pela TV que o presidente Duhalde ''havia aceito a renúncia do ministro''.
Vanossi, um dos dois ministros que a UCR - o maior partido da oposição - tinha dentro de um gabinete majoritariamente composto por integrantes do Justicialismo (Peronismo), o partido do governo, havia falhado em conceder vitórias a Duhalde no confronto com a Corte Suprema de Justiça. Extra-oficialmente, afirma-se que o comentário mais frequente do presidente sobre seu ministro era: ''ele é um inútil''.
Em uma medida desesperada para obter algum apoio político e popular na longa travessia que terá pela frente, Duhalde pretende lançar, no dia 9 de julho, um mega-plano de obras públicas.

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