Desafio da agricultura é 'vender melhor'
Alda do Amaral Rocha
Agência Estado
De Brasília
O novo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, assumiu ontem o cargo afirmando que terá duas importantes tarefas em seu mandato: aumentar a produção nacional de grãos para 100 milhões de toneladas e elevar as exportações agrícolas. Segundo ele, isso será feito através da organização das bases de produção agrícola e por meio de uma política que dará ênfase à tecnologia e à produtividade.
Ele disse ainda que terá a tarefa de conseguir a abertura de novos mercados para o Brasil, reduzindo as restrições aos produtos nacionais. Pratini afirmou que não terá dificuldade de trabalhar coordenadamente com outros setores do governo, como o Ministério da Fazenda e da Indústria e Comércio, por exemplo.
Pratini defendeu ainda a ênfase ao marketing internacional. Nós não sabemos vender, nós vendemos mal, criticou. De acordo com o novo ministro, é fundamental fazer um esforço de marketing, que não se restrinja apenas a promover a produção agrícola ou buscar aumenta seu valor agregado, mas um marketing institucional buscando vencer as restrições tarifárias e não tarifárias contra as exportações brasileiras, principalmente de produtos agrícolas. Não adianta aumentar aprodução se não tiver preço e para quem vender, afirmou.
O novo ministro defendeu que é fundamental a mobilização do setor primário, e a agricultura, que enfrenta hoje os preços mais baixos dos últimos 20 anos. Ele citou como exemplos a soja e o açúcar. Nem a desvalorização do câmbio, às vezes, é suficiente para compensar a deterioração dos preços internacionais.
Dirigindo-se ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, Pratini disse que os ministros da agricultura e da Fazenda frequentemente entram em choque. Ele espera choque com o ministro da Fazenda, mas um choque pra frente.
Pratini disse ainda que vai precisar da ajuda de Malan também numa tarefa considera difícil, que é lutar contra os subsídios dados por norteamericanos e europeus. Segundo o novo ministro, os EUA estão dando subsídios de mais de US$ 4 bilhões para os produtores de soja, quase tanto quanto a receita brasileira com as exportações do complexo soja.
Segundo dirigentes rurais do Paraná, maior mérito do novo ministro é reconhecer a defasagem dos preços agrícolas e sua disposição de romper as barreiras alfandegárias.





