Desacelerado, comércio varejista cresce 6,4% em 2012
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Em ritmo menos acelerado que em anos anteriores, o consumo do comércio varejista de todo o País cresceu 6,4% em 2012. Apesar da alta significativa quando confrontado com a menor movimentação da economia brasileira no período, o percentual foi inferior aos números de 2010 e 2011, quando as vendas cresceram 9,6% e 7,8%, respectivamente. Considerando apenas o mês de dezembro passado período chave para os comerciantes a alta foi de modestos 2,8%. O resultado anual de 2012 acabou ficando bem próximo ao ano de 2009 (6,1%), quando a crise mundial assolava diversos países por todo o mundo. Os números divulgados ontem fazem parte do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio.
Quando o índice é analisado por segmentos, a maior demanda acabou sendo de móveis, eletrônicos e informática, com alta de 7,7%. Em seguida ficaram os materiais de construção (7,6%). Em ambos os segmentos, de acordo com a Serasa, as atividades acabaram sendo estimuladas pelos incentivos fiscais oferecidos pelo governo, como aconteceu com os veículos, motos e peças, cujas vendas cresceram 4,7%.
Porém, na região, tanto os representantes do setor de móveis quanto o de materiais de construção que lideraram o levantamento - não ficaram muitos satisfeitos com os resultados do ano passado. Aliás, disseram à reportagem da FOLHA que os "números reais" acabaram ficando bem distantes dos divulgados pela Serasa Experian.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli, afirmou que 2012 foi um "ano difícil". Ele confirmou que as vendas foram, no máximo, iguais às de 2011. "2010 foi um ano ótimo, 2011 bom e ano passado ruim. Realmente, passou longe daquilo que esperávamos." Entre as justificativas de Poliseli para o setor ter passado por dificuldades, estão o "encarecimento da matéria-prima, o qual não conseguimos repassar para o consumidor", e também o endividamento dos clientes com outros bens, como carros, motos e financiamento da casa própria. "Para 2013, não acredito numa explosão das vendas. Esperamos ficar muito próximos do que realizamos no ano passado", complementou.
No caso dos materiais de construção, de acordo com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o setor cresceu 3,5% no ano passado, com as regiões Norte e Nordeste registrando os maiores volumes de vendas. "O último trimestre do ano acabou apresentando resultados melhores do que os demais trimestres e puxando os indicadores. Nosso faturamento atingiu R$ 55 bilhões, o maior registrado pelo setor", avaliou o presidente da Anamaco, Claudio Conz, através de nota a imprensa.
Para Conz, a época de férias acabou sendo positiva para o setor, mas para este mês de janeiro a expectativa é bem mais conservadora, com apenas 33% dos lojistas entrevistados pela Anamaco com estimativa de incrementar as vendas em comparativo ao mês passado. Para todo o ano de 2013, o setor de materiais de construção espera crescer 6,5%. "Estamos muito otimistas, principalmente devido à manutenção da redução do IPI para os produtos do setor, das obras do Minha Casa Minha Vida e dos eventos esportivos que irão acontecer."
Além disso, o representante da Anamaco tem enorme expectativa na linha de financiamento de materiais de construção com recursos do FGTS, que ainda não está operando, mas que deve aumentar a demanda pelos produtos devido aos juros de 1% ao mês ao consumidor. "Há também a proposta do Banco do Brasil de financiar R$ 10 bilhões em material de construção", complementou ele.



