São Paulo - A expansão da produção industrial em julho mostra que a economia ainda não desacelerou, afirmou ontem a economista do Unibanco, Giovanna Rocca. ''1% de alta em produção industrial não é um número fraco, pelo contrário. É um número bastante elevado e mostra que a atividade doméstica ainda não dá sinais de desaceleração.'' A produção industrial aumentou 1% em julho na comparação com junho. Em relação a julho do ano passado, a produção cresceu 8,5%.
Segundo Giovanna, a atividade industrial só deverá começar a dar sinais de arrefecimento no último trimestre deste ano. ''Mas o efeito do aperto monetário, com uma desaceleração mais consistente, só virá em 2009'', afirmou.
A economista disse que a abertura do resultado mostra desempenho melhor, segundo ela, em bens de capital e bens intermediários, ligados a investimentos na indústria. A produção de bens de capital aumentou 1,2% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. A categoria de bens intermediários registrou alta de 1,1% ante junho.
Por outro lado, Giovanna observou que houve ''retrocesso'' em bens de consumo duráveis e não duráveis. Os bens de consumo duráveis registraram queda de 5,2% na produção em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. Os bens de consumo semi e não duráveis registraram estabilidade (0,0) ante o mês anterior.
Giovanna afirmou que os números fortes da produção levarão a uma revisão da estimativa para 2008, de 6,5% para em torno de 6,7%. Segundo ela, o ritmo da produção em 2009 deve acompanhar a projeção de desaceleração do crescimento do PIB para 3% em 2009. Para este ano, a previsão do PIB está em 4,8%.
O crescimento menor da indústria e da economia como um todo em 2009 será mais consequência da alta de juros pelo Banco Central do que da desaceleração da economia mundial.

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