Desaceleração reduz otimismo da indústria
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de abril de 2005
José Ramos<br>Agência Estado 
Brasília - O otimismo dos industriais teve uma forte queda no início deste ano, provocada principalmente pela sensação de que a economia do País está se deteriorando. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou uma queda de 9,1 pontos, segundo dados divulgados ontem. O índice caiu de 64,9 pontos em janeiro para 55,8 em abril, tanto entre os grandes quanto entre os pequenos empresários. Para a entidade, esse resultado sinaliza que poderá haver uma redução adicional no ritmo da atividade industrial nos próximos meses.
O Icei é composto por duas avaliações: uma de curto prazo, em que o empresário avalia a situação atual em comparação com os últimos seis meses, e outra de médio prazo, em que ele avalia as expectativas para os próximos seis meses. Nos dois casos, a avaliação é feita sobre três itens: situação da economia brasileira, situação do setor e situação da empresa. Resultados acima de 50 são considerados positivos e, abaixo disso, negativos.
A avaliação da situação atual apontou um índice de 46,1 pontos em abril, contra 58,8 em janeiro. As expectativas para os próximos seis meses caíram de 67,9 pontos em janeiro para 60,6 em fevereiro. Ou seja, a avaliação do empresariado é negativa no curto prazo, mas permanece positiva no médio prazo - embora o grau de otimismo seja menor do que o registrado em janeiro.
Quando os empresários avaliam o quadro atual, os índices já estão negativos nos três itens que formam esse grupo. A avaliação atual da economia brasileira caiu de 62,7 pontos para 45,9; a avaliação do setor de atividades desceu de 56,4 para 42,8; e a avaliação da empresa diminuiu de 59,1 para 48,3 pontos.
O que ainda está mantendo o Icei positivo é o otimismo em relação ao futuro. Embora tenham caído também, os índices das expectativas futuras mantêm-se ainda acima de 50 pontos. A expectativa em relação à economia brasileira caiu de 65,7 para 55,5 pontos; em relação ao setor de atividades, caiu de 65 para 57,7 pontos; e em relação à empresa, a expectativa desceu de 70,5 para 64,3 pontos.
Numa análise por porte de empresas, o levantamento da CNI mostra que o pessimismo é maior entre os pequenos empresários. Os pequenos e médios empresários apresentam um índice de confiança geral de 55 pontos em abril, contra 64,1 em janeiro. Na avaliação das condições atuais, os pequenos atingiram um índice de 46,9 pontos. Os grandes empresários apresentam um índice geral de 55,8 pontos em abril, contra 64,9 pontos em janeiro. Na avaliação de curto prazo, os grandes atingiram o perigoso nível de 50,1 pontos.


