Desaceleração mais forte na China prejudica exportações do Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2012
Raquel Landim <br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil sofreu o contágio da desaceleração mais forte que a prevista da China. Uma série de indicadores divulgados recentemente sobre a economia chinesa apontam atividade mais fraca em abril e o risco de um ''pouso forçado''. O impacto já chegou por aqui via queda no preço das commodities.
Nos 12 meses até abril, o CRB (Commodities Research Bureau), principal indicador desse mercado, acumula queda de 13,4%. Em abril, cedeu 2,4%. De janeiro a abril, caíram os preços de exportação do Brasil para minério de ferro (16,7%), cobre (12,6%) e alumínio (13%).
Conforme um relatório do banco Barclays, os investidores já começam a discutir se o ''superciclo'' de alta de commodities, que já dura mais de dez anos e beneficiou muito o Brasil, pode estar chegando ao fim. A aposta geral é que há espaço para alta no preço das commodities agrícolas, mas a situação é delicada para commodities metálicas.
A queda do preço das matérias-primas contagia o Brasil por dois canais: um positivo - menor pressão inflacionária - e um negativo - redução das exportações. O impacto nas exportações está evidente. Por causa da desaceleração na China, da crise na Europa e do protecionismo da Argentina, as exportações brasileiras cresceram só 2% de janeiro a abril em relação a igual período do ano anterior.
A queda das commodities também representa menos pressão por alta de preços. No entanto, esse efeito benéfico está sendo neutralizado pela recente desvalorização do real, que aumenta os preços localmente.


