Depois de expandir a uma média superior a 4% nos últimos três anos, a economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anual 2,7% no terceiro trimestre deste ano. A desaceleração, confirmada por estatísticas do Departamento do Comércio, foi interpretada pelos analistas como mais uma indicação do sucesso da estratégia do Federal Reserve Board, o banco central dos EUA, para evitar o superaquecimento e conduzir a maior economia do mundo a um pouso suave num patamar de crescimento sustentável, prolongando aquele que já é o mais longo período de prosperidade da história americana.
Trata-se de uma notícia positiva para o Brasil, pois preserva a perspectiva de continuação do crescimento mundial, mantêm em expansão estável o maior mercado individual para os exportadores do País e prenuncia meses de estabilidade nas taxas de juros nos EUA.
Tanto no Fed como em Wall Street, estima-se que um crescimento anual inferior a 4% é o mais desejável para a economia americana, pois neste patamar evita-se a recessão e as empresas têm capacidade para atender à demanda por bens e serviços sem risco de provocar a escassez de produtos na prateleiras, de insumos e mão-de-obra, que pressiona os preços e gera inflação. Embora alguns economistas acreditem que a desaceleração seja temporária, o mercado acionário recebeu a notícia com satisfação e o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, deu um salto de 210 pontos, ou 2%, fechando em 10.590,62.
A bem-vinda redução do ritmo de crescimento do PIB dos EUA foi provocada por uma combinação de fatores. Um deles foi a diminuição dos gastos do governo federal, graças à dispensa das centenas de milhares de pessoas contratadas para trabalhar no recém concluído recenseamento, que o país faz a cada dez anos, e à queda sasonal de pagamentos da secretaria da Defesa a seus supridores.
Pesou, também, o efeito do aumento acumulado de 1,75% da taxa de juros que o Fed operou a partir de junho, em sucessivas decisões, para conter a valorização excessiva das ações em bolsa e neutralizar, assim, o ‘‘efeito riqueza’’ que esta gerava. O ‘‘efeito riqueza’’ levava os consumidores americanos - mais da metade dos quais são acionistas - a endividar-se por conta do valor de sua carteira de ações, criando demanda por bens e serviços acima da capacidade de produção das empresas. O alto endividamento de empresas e invidíduos continua ser fonte de preocupação dos economistas. Mas, com as bolsas achatadas este ano, o fato é que, segundo o departamento de Comércio, os gastos dos consumidores aumentaram a um ritmo mais lento nos últimos dois trimestres do que em qualquer outro período de seis meses, desde 1997.