RIO - O crescimento de 4% ao ano no período 1997/2002, estimado no cenário realizado pelos economistas da área de Planejamento do BNDES, deve ser analisado dentro da seguinte perspectiva: o crescimento demográfico previsto é de 1,2% ao ano, muito abaixo da taxa anual de 2,7% das décadas de 60 e 70. Ou seja, a taxa de 4% estimada pelo BNDES significaria, de fato, um crescimento de 2,4% ao ano da renda per capita, já no período 1995/1998.
Trata-se de um desempenho superior aos registrados nos governos Figueiredo e Collor/Itamar, e igual à média dos cinco anos do governo Sarney. Com uma diferença fundamental: ‘‘ocorrerá em um ambiente de maior previsibilidade quanto ao futuro viabilizada pela estabilização’’, enfatizam os técnicos do Banco.
A taxa de crescimento da renda per capita no governo Sarney foi de 2,4%; no governo Collor/Itamar ficou negativa em 0,6%; na era Figueiredo não se alterou (0,0%). A renda per capita prevista para 1999/2002 é de 2,9%, com as perspectivas de taxas de crescimento do PIB maiores ao longo do tempo (1999/2002).
O economista Fábio Giambiagi, da área de planejamento do BNDES, observa que mesmo que a taxa de crescimento média do PIB de 4,0% entre 1997 e 2002 fique abaixo dos 5,5% registrados no período 1951/1996, e seja significativamente inferior à observada na década de 1970, o crescimento acumulado da renda per capita em seis anos seria de 18%, ‘‘o que não pode ser considerado desprezível.’’
Uma comparação com o Chile revela um comportamento semelhante ao esperado para o Brasil. O período posterior ao ajuste macroeconômico foi marcado por um lento crescimento da renda per capita. Após quedas reais de 15,1% e 4,4%, nos anos de 1982 e 1983, respectivamente, a renda per capita começou a recuperar-se, atingindo o nível registrado em 1981 apenas em 1998. A análise consta da carta de abertura da Sinopse Econômica do BNDES que será divulgada nesta semana.

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