Rio - Os novos reajustes definidos para a gasolina e o gás de cozinha deverão interromper ou, pelo menos, tornar mais lento o processo de desaceleração das taxas de inflação que vem ocorrendo em dezembro. A expectativa dos economistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) sofra no primeiro mês do novo governo um impacto de 0,5 ponto porcentual dos aumentos de combustíveis que entram em vigor amanhã.
Em janeiro, a inflação deverá chegar a 2% segundo estima a analista da consultoria Tendências, Marcela Prada. Ela lembrou que o IPCA de dezembro ainda não foi divulgado, mas é certo que aponte desaceleração em relação à taxa de novembro (3,02%), que foi o pico do ano e recorde do Real. Porém, o aumento dos combustíveis deverá provocar uma nova alta em janeiro, impulsionada também por outros reajustes já definidos, como mensalidades escolares e ônibus urbanos em São Paulo.
O coordenador de pesquisas do Instituto Fecomércio-RJ, Paulo Bruck, estima que a inflação medida pelo IPCA em janeiro atingirá variação de, no mínimo, 0,70% em consequência do aumento dos combustíveis e do reajuste de 21% já previsto para os ônibus urbanos em São Paulo.
Segundo ele, o aumento dos combustíveis, terá impacto integral sobre o IPCA de janeiro, sendo de 0,42 ponto porcentual (p.p.) no caso da gasolina (caso o repasse para o consumidor seja de 9,5%, como estima a Petrobras); 0,08 p.p. no caso do gás de cozinha (repasse de 4,9%) e 0,24 p.p. nos reajustes de ônibus em São Paulo.
Apesar da perspectiva de alta, Bruck avalia que o aumento dos combustíveis não será suficiente para reverter o processo de desaceleração da inflação, que vem ocorrendo desde o início deste mês, apesar de tornar mais lento o processo de recuo das taxas inflacionárias. O economista acredita que os produtos alimentícios deverão prosseguir na trajetória de recuo de preços e, portanto, a inflação também deve desacelerar, ''embora se mantenha em patamares elevados em relação há seis meses''.

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