São Paulo - A economia brasileira irá desacelerar nesta segunda metade do ano e isso será bom para o Brasil, ao contrário da desaceleração experimentada durante a crise global, acreditam analistas entrevistados pela reportagem. ''O Brasil vai voltar para um patamar de crescimento razoável. Não seria possível sustentar um crescimento de 7%'', avalia David Beker, chefe para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, em Nova York. Apesar de não esperar que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro volte a ser forte como no primeiro trimestre deste ano, Beker ainda espera um crescimento econômico robusto neste ano, de 7,2%, recuando para 4%, em 2011.
A economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010 em comparação ao mesmo período de 2009. ''É quase impossível repetir o crescimento do primeiro trimestre'', diz Bertrand Delgado, analista sênior para mercados emergentes da Roubini Global Economics (RGE) em Nova York. Para ele, uma expansão ''justa'' para o potencial da economia brasileira está na faixa de 4% a 5%. Sua estimativa para PIB neste ano é de crescimento de 7% e de 4,6% em 2011. ''A desaceleração não é negativa e sim positiva. O País vai desacelerar para taxas de crescimento mais sustentáveis'', acrescentou.
Parte desta desaceleração, dizem analistas, se dará por causa da piora do cenário externo, especialmente a crise da dívida soberana na zona do euro, mas também por um crescimento menor na China e nos Estados Unidos, além da retirada gradual dos estímulos fiscais no Brasil e do início do ciclo aperto monetário no País. ''É uma confluência de fatores, mas diria que o que explica é um cenário de crescimento global mais fraco'', afirma Beker. Nenhum dos dois analistas, no entanto, acredita que os Estados Unidos ou o mundo irão mergulhar de novo na recessão.
Segundo Delgado, os riscos podem ser maiores em 2011, caso a crise europeia se aprofunde. Além disso, ele ressaltou que a China deve seguir em desaceleração, com crescimento ao redor de 8% em 2011. A desaceleração chinesa oferece risco ao Brasil caso haja redução significativa na demanda por commodities, mas de qualquer modo é um risco com o qual o País terá de se acostumar, pois Delgado acredita que a China não voltará a crescer acima de dois dígitos nos próximos anos.
No cenário doméstico, Delgado disse que a maior preocupação é de que o próximo governo leve adiante reformas estruturais. Ele afirmou que será importante como sinalização que o próximo presidente pelo menos inicie as discussões sobre reformas no ano que vem, até para facilitar um novo upgrade do rating do Brasil, que apesar de ser grau de investimento, ainda se encontra no primeiro degrau de cerca de dez, nessa categoria.

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