Desaceleração da economia global faz CNI cortar previsão de PIB brasileiro
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
Agência Estado 
BRASÍLIA - A desaceleração da economia mundial deve atingir em cheio o Brasil e terá impacto ainda mais forte no setor industrial, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da demanda doméstica permanecer crescendo a um nível estável, a expansão do PIB brasileiro será prejudicada pela perda de fôlego na produção de manufaturados devido à disputa de mercado com produtos estrangeiros dentro e fora do País.
A CNI revisou sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 2011 de 3,8% para 3,4%. Segundo a entidade, a expansão do PIB industrial deve ser de apenas 2,2% e, no caso específico da indústria de transformação, o cenário traçado é ainda pior, com evolução de 1,2%.
"A economia brasileira crescerá bem menos que as economias emergentes e isso mostra a dificuldade da indústria brasileira em acompanhar o ritmo de crescimento desses países", afirmou o gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. "Entre as principais causas estão questões de competitividade, como custos tributário, de capital, de insumos, de energia e de trabalho", completou o economista.
Para Castelo Branco, outro motivo para a perda de dinamismo da indústria em 2011 foi o alto patamar do real em relação ao dólar durante a maior parte do ano. "Apesar da reversão em setembro, a oscilação do câmbio ainda continua e ainda não temos um patamar definido para a cotação do dólar. Isso em um cenário de acirramento da competição com produtos brasileiros tanto no mercado exterior como dentro do próprio País", avaliou.
A expressiva redução dos investimentos no País está associada a essa situação. De acordo com a CNI, a formação bruta de capital fixo em 2011 deve ficar em apenas 5,5%, bem abaixo dos 21,8% registrados no ano passado. "A demanda doméstica continua forte, mas sua principal característica é o vazamento para o exterior", explicou Castelo Branco. "O superávit comercial brasileiro deve chegar a US$ 30 bilhões em 2011, mas não será por causa da indústria de transformação, cujo déficit na verdade aumentará", acrescentou.


