Desaceleração atinge setores específicos
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaEm baixaConstrução civil: medidas de contenção de consumo do governo reduziram as compras de alumínio; setor está tendo que exportar maisA economia brasileira passa por uma desaceleração no seu crescimento em vários setores, como no de alumínio, que dá espaço para exportação do produto, ou ainda na indústria, com redução nas vendas de vários produtos, como os eletroeletrônicos. A tese é defendida pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Elétricas e Eletrônicas (Abinee), Nelson Freire. A Associação Brasileira de Distribuidores e Atacadistas (Abad) está estimando que o setor terá crescimento zero ou negativo em 97.
Segundo o presidente da Abad, Luis Antonio Tonin, até maio o acumulado de perdas do ano já chegava a 4%, e a tendência persiste em junho, de acordo com informações preliminares que obteve. Inicialmente esperávamos um crescimento de vendas entre 3% e 4%. Agora, na nova avaliação, a indicação que temos é que poderemos fechar o ano com uma queda abaixo de zero. Este é o sentimento do setor hoje, explicou o empresário.
No Estado de São Paulo, a arrecadação de ICMS já experimenta redução desde março último, na comparação com o desempenho do ano passado, admitiu o coordenador tributário, Clovis Panzarini.
No comércio, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Elvio Aliprandi, atribui ao frio o aumento de vendas do comércio nos últimos dias. Não posso afirmar que seria o Dia dos Namorados, mas sim o frio, pois somente a venda de roupas vem se destacando. As pessoas estão aproveitando os preços das roupas, que caíram. Aliprandi acredita que ocorra um crescimento de 5% sobre o ano passado nas vendas do comércio este mês, mas com a liderança nas vendas das roupas.
Arquivo FolhaEm altaComércio de roupas: preços ficaram mais baixos e estimularam consumo; lojistas projetam crescimento das vendas de junho sobre as do ano passado
O presidente da Alcoa, Fausto Penna Moreira Júnior, entende que as medidas adotadas pelo governo fizeram com que houvesse uma redução nas compras do alumínio, principalmente para construção civil. Como houve a redução, nós ampliamos as exportações. Sempre se age assim. A impressão que fica é que o governo quer ampliar as exportações, por isso cria dificuldades para o mercado interno, que vive um stop and go constante.
Nas áreas de bens de capital sob encomenda, ainda não houve um deslanche completo da indústria porque há demora na privatização do setor elétrico, pois ainda falta o perfil do setor elétrico que está sendo elaborado pela Coopers & Lybrand ou ainda o fato de não ter sido formada a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A partir destas definições o setor deverá crescer, salientou o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), José Augusto Marques.


