Gôndolas mais vazias nos supermercados e postos de combustíveis sem gasolina. Este foi o cenário predominante ontem, em Londrina, no quarto dia de paralisação dos caminhoneiros. Um estabelecimento na Zona Norte chegou a limitar as unidades de leite longa vida por cliente; outro, na Winston Churchill, colocou aviso de possível falta de produtos na entrada.
Daniela Souza, proprietária do mercado Folha Verde, precisou cancelar a tradicional promoção "quinta verde" de hoje, já que não há hortaliças no estoque. Outro produto que está em falta é o leite e a solução encontrada pela gerência foi limitar a compra a cinco unidades de longa vida por cliente. A servidora pública Vera Zago notou de imediato a falta de leite de saquinho e comprou o máximo permitido de caixinhas.
"Tenho medo de não achar depois, é uma prevenção", explica. O litro de leite, que, segundo Vera, custava em R$ 1,99 na semana passada, ontem era vendido por R$ 2,19. Amarildo Monteiro, gerente de uma loja do Viscardi, conta que hortaliças já acabaram, leite e batata já começam a faltar na rede e o estoque de carne vermelha dura até o final da semana.
"No Centro de Distribuição temos produtos para dez dias", afirma ele. A professora Andreia dos Santos fazia compras na tarde de ontem e notou a falta de alface. "Eu acho que eles têm razão na paralisação, estão lutando pelo direito deles, mas ao mesmo tempo, prejudica a gente", reclama. A diarista Sirlei Maria da Silva já pensa em um plano para garantir o leite para o filho pequeno, caso a paralisação se prolongue. "Pensamos em comprar e congelar", conta.
A assessoria do Muffato diz que a rede ainda não sentiu o desabastecimento porque mantém Centro de Distribuição próximo e está recorrendo a parceiros locais para a compra de hortifrutigranjeiros. No entanto, na loja de Apucarana, a rede colocou faixa com aviso para a possível falta de produtos.
Segundo a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), na região de Londrina o desabastecimento de alimentos atinge 55% das lojas, bem como em Maringá, Toledo, Cascavel e Francisco Beltrão, no Sudoeste. Na mesma região, Pato Branco enfrenta escassez de 80% dos produtos nos supermercados, especialmente frutas, verduras, legumes, leite e ovos.

Combustível
Grande parte dos postos de combustíveis ontem alegavam falta de gasolina. Em alguns, havia apenas etanol ou diesel. Buscando coibir possíveis abusos de preços diante da escassez, o Procon desencadeou uma ação e fiscalizou postos a partir de denúncias. O aviso da operação parece ter surtido efeito e alguns postos que no dia anterior vendiam gasolina a R$ 3,89 baixaram para R$ 3,59. O álcool, encontrado por até R$ 2,88 na terça, girava em torno de R$ 2,49 ontem.
A Infraero também tomou precauções quanto a iminente falta de combustível e emitiu aviso para que as aeronaves cheguem abastecidas a Londrina. O mesmo aviso havia sido emitido anteriormente para Foz do Iguaçu, onde a situação foi solucionada na segunda-feira a noite.

Sercomtel

A Sercomtel emitiu nota ontem informando os clientes que, em função do protesto, as contas telefônicas com vencimento em 3 e 7 de março não haviam sido entregues aos Correios. A operadora solicita que os clientes retirem a segunda via da fatura no site www.sercomtel.com.br. Procurada, a assessoria dos Correios confirmou a dificuldade de entrega e disse que daria detalhes sobre os problemas enfrentados em uma nota posterior.

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