Agência Estado
De São Paulo
O mercado financeiro recebeu com extremo nervosismo a derrota inesperada do governo no Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucionais a cobrança de contribuições previdenciárias de servidores inativos e o aumento da alíquota para os ativos.
O dólar e as taxas de juros dispararam e as bolsas de valores e os títulos da dívida externa desabaram depois do anúncio da derrota do governo, por unaminidade, na votação da contribuição dos servidores inativos. Mais tarde, quando o mercado já estava fechado, o governo foi novamente derrotado na questão da cobrança de contribuições de servidores ativos. A derrota provocará uma perda na arrecadação de R$ 4,1 bilhões nos próximos 12 meses ou R$ 3,1 bilhão no ano que vem.
O mercado viu a notícia como um péssimo sinal para o ajuste fiscal, necessário para o cumprimento de metas de superávit primário acertadas com o FMI.
O dólar, que havia passado a manhã estável, em torno de R$ 1,92, chegou a subir 1,35% pouco depois das 16 horas, atingindo a cotação máxima de R$ 1,948. Terminou o dia em alta de quase 1%, em R$ 1,94.
A Bolsa teve a reação mais impressionante: em apenas meia hora, entre as 16 horas e 16h30, o índice saiu de uma alta de 0,9% para queda de 2,86% – o Índice Bovespa fechou em 11.106 pontos. A Bolsa do Rio caiu 1,1%.
Os títulos da dívida externa também desabaram logo após o anúncio da primeira derrota; analistas comparavam o seu efeito ao da moratória de Minas Gerais, no início do ano. O C-Bond, papel brasileiro de maior liquidez, chegou a
ser negociado até por 64,125% de seu valor de face na máxima do dia. Desabou 4%, para 61,5%, no fechamento.

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