Os agricultores da região de Campo Mourão, no Noroeste do Paraná, devem contrariar as expectativas predominantes no Estado e vão ampliar novamente a área de soja na safra 98/99, apesar de os preços da commodity terem despencado este ano.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, estima em seus primeiros levantamentos sobre intenção de plantio que a área de soja no Estado deve cair 1,99% para 2,764 milhões de hectares enquanto a área de milho, cujo plantio já foi iniciado, deve crescer 6,59% para 1,553 milhão de hectares.
Mas entre os associados da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), que tem uma área de ação de 3 milhões de hectares no Paraná e em Santa Catarina, a soja continua sendo considerada uma boa opção e deve ter a área ampliada em 15 mil hectares em 98/99 para 645 mil hectares. Já a área de milho deve recuar de 211 mil hectares na safra passada para 197 mil hectares em 98/99.
A maior liquidez e a comercialização garantida são fatores de estímulo ao plantio da soja, mesmo com a perspectiva de mais um ano de preços baixos com as boas safras esperadas para os Estados Unidos e Argentina, segundo o superintendente comercial da Coamo, Roberto Petrauskas.
Quanto ao milho, Petrauskas explica que deve haver redução nas áreas de menor produtividade, porém as mais tecnificadas devem aumentar, o que pode representar até uma maior produção em 98/99.
Rendimento A Coamo estima que a produtividade média da soja em sua área de abrangência em 98/99 deve ser de 2.663 quilos por hectare, praticamente estável em relação a 97/98. Para o milho, a Coamo prevê um aumento na produtividade média para 4.291 quilos por hectare. Em 97/98, ela foi de 4.126 quilos.
Depois de outro ano de difícil comercialização para o algodão, a Coamo deve reduzir a área de plantio assim como a maioria os produtores paranaenses. Os cooperados da Coamo devem plantar 14 mil hectares em 98/99 contra 24 mil hectares na safra anterior.
Para todo Estado, o Deral estima uma redução de 43% no plantio, que deve ser de 65.200 hectares. Em 97/98, foi de 115.200 hectares. ‘‘A redução na área de algodão é reflexo da política de baixa rentabilidade para o produto’’, diz Petrauskas.

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