Deral confirma quebra da safra no PR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de dezembro de 1998
Guto Rocha 
A estiagem que atingiu o Paraná nos meses de outubro e novembro provocou quebra de 7% da produção de milho e 30% na safra de feijão, acumulando nestas duas culturas prejuízos de R$ 160 milhões. Os dados fazem parte do último levantamento do ano da safra de verão paranaense pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab).
A produção total da safra de verão no Estado deve ficar em 13,408 milhões de toneladas, com uma queda de 1,5% em relação à safra anterior, quando o Paraná colheu 13,619 milhões de t.
Segundo a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo, a previsão inicial para o milho apontava uma produção de 5,77 milhões de t, com a quebra de 7%, a produção deve ficar em 5,39 milhões de t. O problema é que a estiagem atingiu as lavouras de milho durante a fase de floração e frutificação, quando a planta mais necessita de água, comentou.
A agrônoma observou que as lavouras plantadas mais tarde e as que estão sendo semeadas podem ter produtividade maior que o restante em função das chuvas dos últimos dias. O plantio do milho atinge 97% da área estimada.
Já no caso das lavouras de feijão, da safra das águas, as perdas foram provocadas pelo excesso de chuvas nos meses de setembro e outubro. Algumas regiões enfrentaram baixas temperaturas, granizo e doenças nas raízes, disse Vera. Em alguns locais, as lavouras sofreram com a falta de chuvas em novembro. Com estes problemas climáticos, a área inicial caiu de 504 mil hectares, para 477 mil ha, e a produção baixou de 520 mil t para 366 mil t.
A segunda safra de feijão, ou safra da seca, que iniciou plantio em dezembro e se encerra em fevereiro, deve ter uma área 14% maior em relação à safra passada, ficando entre 92,5 mil e 110,3 mil ha. A produção estimada pelo Deral é de 138 mil t de feijão.
Segundo Vera, a estiagem atrasou o plantio da soja e prejudicou a germinação das sementes e o desenvolvimento das lavouras. O plantio da lavoura já foi encerrado, mas em algumas regiões, a falta de chuva obrigou o replantio entre 3% e 10% da área. Mas ainda é cedo para falar em quebra da produção, é que com as chuvas de dezembro, as lavouras podem se recuperar, disse Vera. Segundo o Deral, a soja ocupa uma área de 7,15 milhões de ha, com uma produção estimada em 2,739 milhões de t, com uma queda de 2,9% em relação à safra passada.
As lavouras de algodão, segundo Vera, não apresentam quebra por causa do clima, mas a falta de chuva atrasou o plantio da cultura. Mas a área caiu 58% em relação ao ano passado, devendo ficar em 48,5 mil ha. A produção deve ficar em 92 mil t de algodão em caroço.
O preço do feijão, um dos produtos mais prejudicados, não teve a alta esperada pelos próprios comerciantes, diante do impacto da perda. A queda da oferta nos grandes centros foi compensada pela entrada do produto de Goiás e Bahia. No Paraná o preço do feijão carioquinha, um dos mais consumidos, teve pouca variação. Os comerciantes atribuem este baixo impacto à disposição do consumidor de recuar.


