Deputados têm prazo de 48 horas para formar CPI
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), deu um prazo de 48 horas para que os partidos indiquem os sete integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Porto, proposta pelo deputado Valdir Leite (PPS) para fazer um pente-fino na administração dos portos de Paranaguá e Antonina. O requerimento que pede a abertura da CPI foi lido em plenário, como manda o Regimento Interno da Casa. Brandão não quis entrar no mérito da CPI, disse apenas que o presidente da Assembléia não dá opinião, apenas cumpre o Regimento Interno e a Constituição.
''O Paraná está perdendo muito economicamente. Essa questão tem que ser resolvida o mais rápido possível'', disse. A confusão no porto dominou a sessão de ontem, gerando acaloradas discussões no plenário. Valdir Leite amarrou um pedaço de tecido preto no pulso durante a sessão de ontem, em alusão à mobilização em Paranaguá. Ele explicou que o tecido preto serve para ilustrar o ''luto'' da população de Paranaguá, porque ''o porto está morrendo''. ''Não é possível que todo mundo esteja errado e o superintendente do porto (Eduardo Requião) esteja certo'', disse Leite. ''Não se admite mais a irresponsabilidade com que se gerencia o porto. Queremos que a Appa seja gerenciada com competência'', completou.
O objetivo da CPI é investigar supostas irregularidades administrativas, financeiras, técnicas e sanitárias no porto, apurando denúncias de desaparecimento de soja, contratação de seguros, dragagem do canal, tempo de espera para embarque e a presença de ratos nos silos. Angelo Vanhoni (PT), que ainda responde pela liderança do governo, defende que a Assembléia destaque dois ou três deputados para atuar como mediadores na questão do porto. ''Os estivadores recebem por dia, não por mês, e isso significa que muitas famílias estão passando por dificuldades'', declarou Vanhoni. O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), disse na tribuna que a atual administração derrubou o preço da soja no mercado internacional.
Através de sua assessoria de imprensa, o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, disse que ''a brincadeira'' no porto tem que acabar. ''O governo tem o maior desejo de que este porto seja o melhor do Brasil. Mas em um determinado momento, por interesses não confessáveis, muitos interesses políticos, acabou havendo a paralisação no embarque de navios. Isso pode servir como alerta. Mas serve como exemplo de um prejuízo incomensurável para todos aqueles que de uma forma ou de outra dependem do porto para suas atividades. Esta brincadeira está na hora de terminar. Sob pressão o governo não vai agir.''


