Deputados rebatem otimismo de Meirelles
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Brasil que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou em 51 gráficos e tabelas não convenceu os deputados e senadores que compareceram, ontem, à audiência pública na Câmara dos Deputados para debater o custo das políticas monetária, creditícia e cambial para o País. Em 36 minutos, Meirelles ressaltou a melhora dos fundamentos da economia e falou de retomada de crescimento, aumento do emprego formal e da massa salarial, além de destacar o nível da taxa de juros, um dos menores patamares da história.
Nas quase cinco horas seguintes, tentou amenizar a insatisfação dos parlamentares que esbravejaram contra o desemprego recorde, esforço fiscal acima do acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), queda da renda real da classe média, estagnação econômica.
O cenário altamente positivo descrito pelo presidente do BC também contrastou com a piora na avaliação da economia brasileira divulgada, ontem de manhã, por uma instituição financeira e uma consultoria internacionais. ''Achamos que isso é normal porque os analistas financeiros levam em conta vários fatores que não apenas os fundamentos do País'', comentou Meirelles.
Na platéia, o discurso de senadores e deputados era unânime: o país mostrado não correspondia à realidade atual dos brasileiros. ''Temos superávit primário recorde e desemprego também recorde. Todos os homens da área econômica falam em crescimento no último trimestre de 2003 e temos desaceleração da atividade no primeiro trimestre de 2004. Vocês não trazem dados verdadeiros para discussão'', afirmou o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ). Nem mesmo os representantes da base aliada defenderam os resultados da política econômica do governo. Somente no início da audiência, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR) defendeu a política econômica. Logo em seguida, ele se levantou e foi embora.
Segundo Meirelles, vários indicadores garantem que a recuperação do nível de atividade está realmente ocorrendo. Apesar de a produção industrial, que cresceu significativamente no final de 2003, ter caído nos últimos meses, a tendência é de aumento novamente.
Um sinal disso, segundo Meirelles, é o aumento verificado nas vendas da indústria. ''É apenas uma questão de tempo para a produção industrial voltar a se ajustar por causa da queda nos estoques'', defendeu. Para ele, a massa salarial também está crescendo. Meirelles disse que os dados sobre a taxa de desemprego no País, que apontaram o maior valor nos últimos anos, são conflitantes porque alguns índices se referem apenas à região metropolitana de São Paulo, que não representa o movimento ocorrido no restante do País.
Meirelles considerou positivo também o fato de a População Economicamente Ativa (PEA) estar crescendo, o que tem ocorrido num ritmo mais forte do que a oferta de vagas. ''Isso mostra que as pessoas apostam e têm esperança de que conseguirão um emprego'', disse.


