Deputados querem impedir privatização
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
A bancada de oposição do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa pretende usar todas as armas de que dispõe para impedir a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A principal é a revogação da lei 12.355, de dezembro de 1998, que autoriza o Poder Executivo a vender a empresa e foi aprovada pela Assembléia. Vamos tentar sensibilizar os deputados que apóiam o governo para conseguir votar uma lei revogando a venda da Copel, disse o líder da oposição, Orlando Pessuti (PMDB). A oposição deve contar com o apoio de um bloco que se diz independente e promete ter posições desvinculadas do Palácio Iguaçu.
Os deputados, que participaram de reunião ontem com o ex-presidente da Copel entre 1993 e 94, João Carlos Cascaes, já estão levantando dados sobre a Copel para a elaboração do projeto de lei. A empresa é lucrativa e não concordamos com a alegação de que empresa pública tem dificuldades de competição, argumentou Pessuti. E concordamos menos ainda com a utilização do dinheiro da venda para cobrir rombos de uma administração desastrosa, emendou.
Caso a revogação da lei não seja possível, a oposição vai brigar pela aprovação de um projeto do deputado José Maria Ferreira (PSDB) que estabelece a venda da Copel somente após a realização de um plebiscito.
A oposição também vai buscar o apoio da sociedade, organizando reuniões com entidades como a Federação da Agricultura do Paraná, Associação Comercial, Federação das Indústrias, Conselho Regional dos Engenheiros e Arquitetos, sindicatos de trabalhadores e universidades. Queremos contar com a sustentação de toda sociedade, disse Nereu Moura, líder do PMDB na Casa.
O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, já havia dito na semana passada que não vê motivo para se voltar atrás e questionar uma matéria que foi aprovada há dois anos.
João Carlos Cascaes já obteve liminar na Justiça suspendendo a operação com as ações da Copel que serviram como garantia a títulos podres adquiridos pelo Banestado, comprado pelo Itaú em outubro do ano passado. O governo do Estado pretende vender a Copel ainda este ano e prevê no Orçamento de 2001 R$ 3 bilhões com a privatização da estatal de energia.


