Curitiba Deputados da União de Parlamentares do Mercosul (UPM) querem unir os países da América Latina na luta contra a crise econômica da Argentina e da Venezuela. Para isso, eles estão reforçando os entendimentos com deputados estaduais do Paraguai, Uruguai e do Chile.
''A crise é global e pode atingir todos os demais países da América Latina. Só existe uma maneira do Brasil viver sem a crise econômica. O País terá que se vacinar contra a mesma, fazer correções econômicas e reforçar as perspectivas regionais'', aconselhou o deputado estadual Milton Flávio (PSDB-SP), presidente da entidade parlamentar.
Os deputados querem que o governo federal aprove urgentemente uma reforma tributária, dilate o prazo de vencimentos das dívidas internas, aporte recursos do FMI e derrube as barreiras protecionistas dos Estados Unidos, tarifárias e não tarifárias. ''Temos que partilhar os problemas dos argentinos e ajudá-los a sair da crise. Não conseguiremos fazer nada sozinhos. Temos que nos unir.''
Para os parlamentares, o risco-país indicador que mede a probabilidade de um país dar calote em sua dívida externa é especulativo e interessa os investidores internacionais. ''Não é concebível que o risco-país do Brasil seja maior do que o risco-país da Venezuela, que está em franca crise'', analisou o deputado estadual Jair Foscarini (PMDB-RS), presidente do Bloco Parlamentar Brasileiro (BPB) da UPM. Ele considerou que a instabilidade política ocasionada com a proximidades das eleições também influenciou para a alteração do risco Brasil.
''O candidato que está na primeira colocação nas pesquisas (Lula) está com uma boa retórica, mas o capital internacional não sabe se as propostas agora apresentadas são reais'', afirmou. ''Eles estão receiosos de enfrentar no poder alguém que não tenha capacidade de renegociar a dívida'', complementou Fernando Ribas Carli (PPB-PR), presidente da Comissão Permanente do Mercosul da Assembléia Legislativa do Paraná.
Os parlamentares discutiram ainda a Alca e o acordo com o mercado comum europeu. ''Não podemos pensar em nos unir com países de outros continentes se ainda não conseguimos nos unir com os latino-americanos. Temos que fazer nossa lição de casa e exigir paridade nas alíquotas de exportação brasileiras e americanas'', exemplificou Foscarini, ao complementar que os produtos brasileiros têm taxação média de 42% nos Estados Unidos, enquanto os produtos americanos têm taxação de 20% no Brasil. ''Temos que impedir também que o Brasil continue sofrendo restrições sanitárias imaginárias'', salientou Flávio.

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